Agricultores exigem revisão das indemnizações no projecto de acesso ao Porto da Beira

Agricultores cujas machambas foram abrangidas pelo projecto de construção e requalificação do acesso ao Porto da Beira continuam a manifestar insatisfação em relação aos valores pagos a título de indemnização, que consideram injustos e desajustados face às perdas sofridas. Os camponeses afirmam que as compensações não reflectem o valor real das terras ocupadas nem das culturas destruídas durante a implementação da infra-estrutura.

De acordo com os afectados, embora tenham colaborado com as autoridades e empresas envolvidas no processo de cedência dos terrenos, muitos acabaram por ficar sem condições para retomar a produção agrícola. Alguns relatam que os valores recebidos mal cobrem os custos básicos para preparação de novas áreas de cultivo, aquisição de sementes e outros insumos essenciais, agravando a vulnerabilidade económica das famílias.

A situação, segundo os agricultores, tem impactos directos na segurança alimentar das comunidades locais, uma vez que a agricultura constitui a principal fonte de rendimento e de sustento. Há relatos de famílias que reduziram a área de cultivo ou abandonaram temporariamente a actividade agrícola, enquanto procuram alternativas para sobreviver.

Face ao descontentamento crescente, os camponeses defendem a necessidade de uma reavaliação dos critérios usados no cálculo das indemnizações, propondo que sejam considerados não apenas o valor da terra, mas também o rendimento futuro perdido e o tempo necessário para restabelecer a produção. Os afectados apelam ainda para a abertura de um diálogo transparente e inclusivo com as autoridades competentes e as entidades responsáveis pelo projecto.

O acesso ao Porto da Beira é considerado uma infra-estrutura estratégica para o desenvolvimento económico da região e do país, mas os agricultores sublinham que a sua implementação não deve ocorrer à custa do empobrecimento das comunidades locais. Para os camponeses, garantir indemnizações justas é essencial para minimizar os impactos sociais do projecto e assegurar que o desenvolvimento beneficie de forma equilibrada todos os envolvidos.

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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