Actualidade de Moçambique

Estudantes do ISPG denunciam aumento de propinas, má gestão e degradação das condições académicas

Estudantes do Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG), nos cursos de Economia Agrária, Administração Pública e Gestão de Recursos Humanos, levantaram a voz contra o que consideram uma gestão ineficiente e prejudicial à qualidade do ensino na instituição. Em comunicado, os estudantes relatam o agravamento de várias situações que têm comprometido o seu percurso académico, desde falhas técnicas no sistema de gestão até à falta de condições mínimas nas salas de aula.

Segundo os estudantes, desde 2024 a mensalidade subiu de 1.920 meticais para 2.700 meticais, sem que se observassem melhorias nas infra-estruturas ou serviços. Apesar do novo valor, o sistema “Esura”, utilizado para o controlo de pagamentos e consulta de notas, continua programado com os parâmetros antigos, o que resulta no bloqueio do acesso às notas mesmo quando os estudantes pagam o valor actualizado.

Outro ponto de insatisfação tem a ver com o prazo de pagamento. “Mesmo pagando no dia 10, que é o limite estabelecido, o sistema já nos marca como devedores”, denunciam, apontando falta de clareza e transparência na comunicação institucional.

As críticas estendem-se às condições físicas e logísticas. Os estudantes relatam a ausência de equipamentos básicos, como cadeiras em bom estado, material didáctico, marcadores e produtos de limpeza. A aquisição de um computador no valor de 110 mil meticais foi alvo de contestação, por se tratar de um gasto que, segundo os alunos, não se traduz em melhorias visíveis na vida académica. “Parece que a prioridade da direcção são viaturas e acessórios de luxo, enquanto os estudantes enfrentam precariedade”, afirmam.

No que diz respeito ao corpo docente, os estudantes indicam que dois professores foram suspensos em Março e, até Maio, não foram substituídos. Essa ausência resultou no prolongamento do primeiro semestre até ao final de Julho, sendo que o segundo semestre está previsto para iniciar na primeira semana de Agosto. “Há turmas onde um único docente ministra até três disciplinas, enquanto outras continuam sem professor até hoje”, lamentam.

A ausência de mecanismos eficazes de representação estudantil também é criticada. A associação estudantil é considerada inoperante e sem força para intervir nas questões que afectam o colectivo. Denunciam ainda a concentração de funções, em que professores acumulam cargos de chefia, o que dificulta denúncias por parte dos estudantes, temendo represálias.

Sobre iniciativas como a campanha “Um Estudante, Um Computador”, os estudantes dizem ter havido falha de comunicação. Apenas sete computadores foram distribuídos, sob a alegação de que poucos se inscreveram. Contudo, afirmam que muitos estudantes não participaram por falta de acesso à informação e pela burocracia “pouco amigável” do processo.

Para os estudantes, o lema da instituição “Marcando a Diferença” tem se tornado irónico. “Estamos a viver a diferença pela negativa, menos qualidade, mais cobrança, e zero transparência”, concluem, apelando ao apoio de activistas da educação e da sociedade civil, para que a sua voz seja ouvida e as suas preocupações atendidas.

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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