O bairro da Malhangalene, na cidade de Maputo, vive momentos de choque, consternação e insegurança após o assassinato brutal do Ex-funcionário da Autoridade Tributaria (AT), Luís Machaieie Júnior, de 48 anos, ocorrido na tarde desta sexta-feira (09). O crime, classificado pela Polícia da República de Moçambique (PRM) como homicídio agravado, aconteceu no escritório da vítima, dedicado à importação de medicamentos, localizado na Rua de Luabo, no cruzamento com a Avenida da Malhangalene.
No interior do escritório, o cenário encontrado era descrito como aterrador, uma grande poça de sangue espalhada pelas tijoleiras e sinais evidentes de violência extrema, lembrando cenas de um filme de terror. Luís Machaieie Júnior foi morto com golpes repetidos no pescoço, desferidos com recurso a um objecto cortante, alegadamente uma faca.
A vítima era ex-funcionário sénior da Autoridade Tributária de Moçambique, afecto à Unidade de Grandes Contribuintes, onde trabalhava há cerca de 20 anos. Paralelamente à função pública, desenvolvia actividades empresariais no ramo da importação e comercialização de medicamentos, área na qual era conhecido.
De acordo com informações avançadas pela PRM, o crime terá ocorrido entre as 13h e as 16h, período posterior ao intervalo do almoço. Nesse intervalo, Luís Machaieie Júnior saiu do seu local de trabalho na Autoridade Tributária, na baixa da cidade, e dirigiu-se ao escritório privado, onde teria um encontro com indivíduos ainda não identificados.
O caso veio a público por volta das 17h55, quando Ivanildo Alves dos Reis, filho da vítima, apresentou uma denúncia às autoridades. Segundo o seu relato, a mãe entrou em contacto após várias tentativas frustradas de falar com o marido. Preocupada, pediu ao filho que se deslocasse ao escritório para verificar o que se passava. Ao chegar ao local, Ivanildo encontrou o pai caído no chão, já sem vida, com uma das mãos a segurar o pescoço, onde apresentava ferimentos profundos, resultado do ataque violento.
A porta-voz da PRM na cidade de Maputo, Marta Pereira, confirmou o homicídio e explicou que, até ao momento, as motivações do crime ainda são desconhecidas. No entanto, garantiu que estão em curso diligências para identificar os autores e esclarecer as circunstâncias que levaram à morte do funcionário público e empresário.
Após a denúncia, a polícia deslocou-se de imediato ao local, procedeu à preservação da cena do crime e solicitou a intervenção da brigada técnica do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). A equipa realizou a perícia técnico-científica, recolhendo indícios que possam ajudar na investigação. O corpo de Luís Machaieie Júnior foi posteriormente removido para a morgue do Hospital Central de Maputo, por volta das 20h30.
O assassinato gerou um clima de medo e indignação entre moradores e comerciantes da Malhangalene, que exigem maior segurança e uma resposta célere das autoridades. Familiares, colegas de trabalho e amigos da vítima descrevem-no como um homem dedicado à família, ao serviço público e aos negócios, e aguardam, agora, que a justiça seja feita.
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