Actualidade de Moçambique

Organizações juvenis apresentam posição conjunta sobre o Diálogo Nacional Inclusivo

Mais de trinta organizações juvenis de todo o país, coordenadas pela COPJ-DNAI (Coordenação das Organizações de Promoção Juvenil para o Diálogo Nacional Inclusivo), divulgaram uma posição conjunta sobre o processo do Diálogo Nacional Inclusivo (DNI), aprovado pela Lei n.º 1/2025, de 11 de abril. O documento, assinado por diversas associações e movimentos juvenis, apela à inclusão efectiva, transparência e representatividade no processo em curso, que visa consolidar a paz, a reconciliação e o desenvolvimento sustentável de Moçambique.

O posicionamento surge num momento de grande sensibilidade política, após as VII Eleições Gerais e IV Eleições Provinciais, que foram marcadas por tensões e desconfiança pública. As organizações defendem que o Diálogo Nacional Inclusivo deve ser um espaço genuíno de escuta e construção colectiva, capaz de restaurar a confiança entre cidadãos e instituições, sobretudo entre os jovens, que representam cerca de 80% da população moçambicana.

De acordo com o documento, os jovens apelam para que o Diálogo sirva de instrumento de aproximação entre o Estado e a sociedade, e que as suas preocupações e demandas sejam priorizadas em todas as fases do processo. Defendem também a necessidade de maior disseminação periódica e antecipada das informações sobre o calendário, locais e programas das auscultações públicas, recorrendo às tecnologias digitais e linguagens acessíveis que permitam a participação de todos os cidadãos.

As organizações pedem ainda a prorrogação do prazo de auscultações e de submissão de propostas por um período adicional de trinta dias, de modo a permitir que mais actores, especialmente jovens, possam participar e contribuir com ideias e propostas concretas.

O grupo alerta igualmente para a importância de garantir que o processo seja inclusivo e acessível, respeitando a diversidade da juventude moçambicana em termos de género, origem social, deficiência e filiação política. Nesse sentido, as associações propõem que as sessões públicas contem com tradução em língua de sinais moçambicana, uso de línguas locais e realização de debates em locais acessíveis a todos, incluindo os que foram considerados epicentros dos protestos pós-eleitorais, como terminais de transporte e mercados.

No mesmo documento, as organizações rejeitam qualquer tentativa de partidarização ou polarização do processo e apelam à Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo (COTE) que actue com total imparcialidade, abertura e neutralidade, ouvindo e acolhendo as propostas dos jovens singulares e das associações juvenis. Sublinha-se também a necessidade de envolver influenciadores digitais, artistas e figuras públicas, para que usem o seu prestígio e visibilidade na mobilização dos jovens e na promoção de um diálogo participativo e plural.

O presidente do Parlamento Juvenil de Moçambique, David Fardo, uma das figuras proeminentes neste movimento, destacou que o Diálogo Nacional Inclusivo deve ser “um espaço de construção e não de divisão”, defendendo que os jovens devem apropriar-se do processo como protagonistas da transformação nacional. “O país é jovem e precisa de ouvir a sua juventude para construir um futuro comum. O diálogo só será legítimo se reflectir essa diversidade”, afirmou.

As organizações signatárias — entre as quais o Parlamento Juvenil de Moçambique, o Movimento Activista Moçambique, a Associação Manas, a União Nacional dos Estudantes, a Associação de Jovens Surdos de Moçambique (AJOSMO), o Fórum de Liderança (FORLEAD) e o Movimento Paz em Cores — reforçam o seu compromisso em continuar a mobilizar, engajar e monitorar o processo em curso.

O documento termina com um apelo à unidade e à corresponsabilidade nacional: “Convocamos a sociedade e, especialmente, os jovens, a apropriarem-se do processo do Diálogo Nacional Inclusivo em curso. Todos e todas somos parte integrante do desenvolvimento do País. Não teremos outra Pátria!”.

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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