Género & Mulher

Professores ignoram apelo do Administrador de Angónia e iniciam greve em Ulónguè

Ignorando o apelo feito pelo Administrador do Distrito de Angónia, Raimundo Brumo, os professores da Escola Secundária Geral do II Ciclo de Ulónguè, na província de Tete, iniciaram hoje uma greve por tempo indeterminado, exigindo o pagamento das horas extraordinárias referentes aos anos de 2023 e 2024. A paralisação começou na segunda-feira, 28 de abril, apesar das tentativas das autoridades de evitar a interrupção das aulas.

Durante um encontro realizado ontem (28) com os docentes, Brumo pediu calma e paciência, solicitando que as actividades lectivas fossem mantidas enquanto decorre a tramitação legal do processo de pagamento junto às instâncias competentes. O dirigente recordou ainda que, em recente visita ao distrito, o Presidente da República reconheceu publicamente as dívidas com os profissionais da Educação e da Saúde e comprometeu-se a regularizá-las de forma faseada, segundo a disponibilidade orçamental.

Encontro entre o Administrador e os Professores – realizado na segunda-feira, 28 de abril de 2025

Entretanto, em carta enviada à Direcção da escola, a Assembleia Geral dos Professores informou que a decisão da greve foi tomada após uma reunião com o Director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Angónia (SDEJT), ocorrida a 4 de Abril. Na ocasião, foi prometido que o pagamento das horas extras seria retomado após a conclusão do processamento salarial de março e o fim dos primeiros 100 dias do actual Governo, o que não se concretizou até 25 de abril, data limite apontada pelos docentes.

Na mesma comunicação, os professores expressaram frustração com o que consideram promessas não cumpridas e negligência da direcção da escola, que, segundo afirmam, não se reuniu com os docentes para esclarecer a situação. Relataram ainda que algumas escolas da região já efectuaram os pagamentos devidos, ao contrário da sua, o que alimenta um sentimento de exclusão e desrespeito.

A paralisação prevê a presença dos professores na escola das 6h30 às 10h, durante os 30 primeiros dias da greve, e contempla a manutenção dos serviços essenciais e inadiáveis. Os docentes reforçaram que a greve pode ser suspensa a qualquer momento, desde que haja o pagamento das horas extras em atraso, e que estão abertos a negociar a reposição do conteúdo perdido durante o período de interrupção.

Os professores citam a Constituição da República, a Lei do Trabalho e o Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado como base legal para a sua reivindicação, e acusam a direcção da escola de silêncio institucional e desprezo pelas tentativas de esclarecimento feitas ao longo dos últimos dois anos.

Enquanto a greve prossegue, cresce a preocupação com o impacto sobre os alunos e o calendário escolar. O Administrador Brumo voltou a lamentar a decisão dos professores, alertando que os alunos são os mais prejudicados e defendendo o diálogo como único caminho para a resolução do conflito.

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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