terça-feira, 3 de novembro de 2026

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Eco & Empresas

ENH integra consórcio que vai liderar perfuração de poços do projecto Coral Norte FLNG

Pela primeira vez, uma empresa moçambicana com participação nacional relevante assume responsabilidades operacionais directas na perfuração offshore, numa campanha que terá a duração de 10 meses e deverá contribuir para o desenvolvimento do projecto Coral Norte, cuja entrada em produção está prevista para 2028.

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), através da sua subsidiária ENH-Saipem Drilling Company, S.A., integra a campanha de perfuração e completação de poços do projecto Coral Norte FLNG, localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

De acordo com um comunicado de imprensa da ENH, a campanha terá uma duração estimada de 10 meses e será executada com recurso ao navio-sonda SAIPEM 12000, numa operação destinada a apoiar o desenvolvimento da unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito (FLNG), situada na parte norte do reservatório Coral.

A operação representa uma etapa importante para o desenvolvimento do projecto Coral Norte, cuja entrada em produção está prevista para 2028. Entretanto, a participação da ENH nesta campanha é apresentada como um marco para o fortalecimento do conteúdo local na indústria moçambicana de hidrocarbonetos.

Segundo a empresa, trata-se da primeira vez que uma sociedade moçambicana, com participação nacional relevante, assume um papel operacional directo em actividades de perfuração offshore, consideradas entre as operações de maior complexidade técnica e exigência de capital na cadeia de valor do gás natural.

O Presidente do Conselho de Administração da ENH, Rudêncio Morais, considera que este avanço representa um passo importante na estratégia da empresa de desenvolver capacidades técnicas que lhe permitam assumir, progressivamente, responsabilidades como operadora no segmento upstream.

“Pela primeira vez na história da empresa, estaremos na vanguarda das operações no upstream no offshore, o que será uma oportunidade para a consolidação da nossa capacidade técnica, com o envolvimento activo de técnicos moçambicanos em actividades de perfuração”, afirmou Rudêncio Morais.

A ENH entende que o envolvimento na campanha permitirá consolidar competências nacionais, ampliar a participação de empresas com capital moçambicano em operações especializadas e criar oportunidades para técnicos nacionais adquirirem experiência em actividades de elevada exigência tecnológica.

Projecto prevê produção conjunta de sete milhões de toneladas de GNL

Desenvolvido com base na experiência adquirida durante a implementação do projecto Coral Sul FLNG, o Coral Norte constitui mais uma etapa na exploração e valorização dos recursos de gás natural existentes na Bacia do Rovuma.

Com a entrada em funcionamento do novo projecto, prevê-se que a capacidade conjunta de produção das unidades Coral Sul e Coral Norte alcance aproximadamente sete milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) por ano, reforçando a posição de Moçambique no mercado nacional, regional e internacional de gás natural.

O projecto deverá igualmente contribuir para o crescimento económico do país, através da criação de oportunidades de negócio para empresas moçambicanas, desenvolvimento de competências técnicas e dinamização da cadeia de valor do sector energético.A Área 4 teve o seu contrato de concessão assinado em 2006. Entre 2011 e 2014, foram descobertos importantes recursos de gás natural nos reservatórios Coral, Agulha e Complexo Mamba, cujas reservas são estimadas em cerca de 2.400 mil milhões de metros cúbicos de gás in situ.

O Coral Sul FLNG foi o primeiro projecto a produzir gás natural na Bacia do Rovuma, tendo já colocado no mercado internacional mais de 175 carregamentos de GNL. Na estrutura accionista da Área 4, a ENH representa o Estado moçambicano, com uma participação de 10%. A KOGAS e a XRG detêm igualmente 10% cada, enquanto a Mozambique Rovuma Venture S.p.A. (MRV), operadora da Área 4, detém os restantes 70%. A MRV é constituída pelas multinacionais Eni, ExxonMobil e CNPC.

Sobre o autor

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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