ANAC lamenta morte de caçador furtivo reincidente e condena agressões a dirigentes durante velório em Matutuíne

A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) confirmou que tomou conhecimento da morte de um cidadão, identificado nos autos de notícia como caçador furtivo reincidente do Parque Nacional de Maputo, após ter sido baleado na perna durante uma tentativa de fuga, no dia 24 de Dezembro de 2025. O indivíduo viria a perder a vida numa das unidades sanitárias do distrito de Matutuíne, na província de Maputo.

Em comunicado, a ANAC esclarece que, logo após tomar conhecimento do sucedido, através do Parque Nacional de Maputo, manifestou solidariedade para com a família enlutada, tendo prestado o apoio considerado necessário neste momento de dor.

No entanto, a instituição denuncia que, durante as exéquias fúnebres, registaram-se episódios de violência. Indivíduos não identificados agrediram violentamente o Chefe de Fiscalização e Protecção do Parque Nacional de Maputo, que se encontrava no local em representação da ANAC, e fizeram refém o Comandante Distrital da Polícia de Protecção dos Recursos Naturais e Ambiente, bem como um fiscal do parque.

Segundo a ANAC, o malogrado era reincidente na prática de caça furtiva no interior do Parque Nacional de Maputo, conforme consta dos autos de notícia n.º 02/PNAM-T/2023 e n.º 07/PNAM-T/2025. A sua identificação foi possível graças às câmaras de vigilância instaladas no interior da área de conservação, que captaram imagens do indivíduo durante a prática ilegal.

O comunicado recorda ainda que, no dia 22 de Novembro de 2025, a equipa de fiscalização do Parque Nacional de Maputo ouviu disparos na entrada principal da zona sul do parque, na localidade do Futi, nas proximidades da Estrada Nacional Número Um (EN1). No local, foi encontrado o referido caçador furtivo baleado, na companhia de outro indivíduo, tendo ambos colocado-se em fuga. Durante a acção, foi abandonada uma viatura de marca Vitz, no interior da qual se encontrava, no banco traseiro, uma arma de fogo de fabrico artesanal e diversas espécies de animais abatidos ilegalmente, nomeadamente impala, chango e cabrito-cinzento.

Na sequência dos factos, a equipa de fiscalização lavrou o respectivo auto de notícia, que foi remetido à Procuradoria-Geral da República do distrito de Matutuíne. A ANAC sublinha que estes acontecimentos configuram um claro acto de reincidência na prática de actividades ilegais no interior do Parque Nacional de Maputo.

Dados avançados pela instituição indicam que, só em 2025, o Parque Nacional de Maputo deteve seis caçadores furtivos, desactivou 354 armadilhas e confiscou nove armas de fogo, no âmbito das acções de combate à caça furtiva.

A ANAC repudiou de forma veemente as agressões ocorridas durante o velório contra o Chefe de Fiscalização e Protecção do parque, o Comandante Distrital da Polícia de Protecção dos Recursos Naturais e Ambiente e um fiscal do Parque Nacional de Maputo, ao mesmo tempo que lamentou a perda de vida do cidadão envolvido.

Por fim, a instituição reafirmou o seu compromisso com a manutenção de uma estreita colaboração com as comunidades locais que vivem no interior das áreas de conservação e nas zonas tampão, apelando às populações para redobrarem os esforços de vigilância e denunciarem qualquer indivíduo com comportamento suspeito ou propenso à prática de actos ilegais.

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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