Actualidade de Moçambique

Com o futuro em suspenso, estudantes da UEM enfrentam um sistema que os ignora

O Presidente da Associação dos Estudantes da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Onório Eduardo afirmou, esta Quarta-feira, que o encontro de diálogo mantido com a Direcção da Universidade não produziu quaisquer resultados concretos. Segundo Onório Eduardo, a única deliberação saída da reunião foi a promessa de que será apresentada uma resposta oficial no próximo Sábado, facto que agravou a frustração dos estudantes envolvidos no protesto.

O encontro decorreu no contexto das manifestações estudantis em curso no Campus Universitário, desencadeadas por uma crise relacionada com o sistema de pagamentos das propinas e taxas de inscrição. Segundo os estudantes, milhares de colegas encontram-se impedidos de frequentar aulas por não constarem como inscritos no sistema académico, apesar de terem efectuado os pagamentos dentro dos prazos estipulados.

Onório Eduardo estimou em cerca de 700 o número de estudantes afectados, mas a sua declaração foi imediatamente contestada por outros estudantes presentes, que asseguram tratar-se de mais de três mil alunos em situação crítica.

Vários estudantes denunciaram falhas sistemáticas no sistema de pagamento, especialmente através da plataforma m-pesa, cujos valores pagos muitas vezes não são reflectidos no sistema da universidade. Um estudante da Faculdade de Letras e Ciências Sociais partilhou que, após efectuar o pagamento via m-pesa, viu o valor indevidamente atribuído a uma suposta dívida de um semestre anterior, que afirma nunca ter existido. Para resolver o impasse, realizou um novo pagamento por via bancária (BIM), o qual foi reconhecido de imediato. No entanto, o sistema académico continuou a assinalar a sua inscrição como “pendente”, impedindo-o de aceder aos serviços e aulas.

Ainda mais grave, segundo o estudante, foi o posicionamento da universidade, que alegadamente decidiu anular as inscrições pagas fora do prazo e declarou que não efectuará reembolsos, mesmo nos casos em que os atrasos decorreram de erros da própria instituição. O estudante considera a situação profundamente injusta, sobretudo tratando-se de uma instituição pública, e refere que muitos colegas vivem dramas semelhantes, embora por razões específicas e variadas.

Face à ausência de soluções e ao aparente desinteresse da Reitoria em resolver o problema, os estudantes decidiram manter-se em greve. Alguns relatam sentir-se desrespeitados, sobretudo depois de declarações atribuídas ao Director do Registo Académico, que, segundo os manifestantes, terá dito que os estudantes deveriam “limpar as lágrimas” e procurar emprego para poderem pagar novamente as suas inscrições. Declarações como estas intensificaram a revolta e alimentaram a percepção de insensibilidade por parte da gestão universitária.

Diante do agravamento do cenário e da iminente perda do semestre para milhares de jovens, os estudantes apelam à intervenção urgente do Presidente da República, Daniel Chapo, como única esperança para ultrapassar o impasse e garantir o respeito pelo direito à educação, à justiça e à dignidade de todos os estudantes moçambicanos.

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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