Actualidade de Moçambique

Moçambique defende mudança de paradigma para transformar agricultura em negócio atractivo

O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Roberto Mito Albino, defendeu recentemente uma mudança de paradigma no sector agrícola e pesqueiro, visando transformar a agricultura num negócio atractivo em Moçambique. A declaração foi feita durante a 2ª Cúpula de Balanço dos Sistemas Alimentares das Nações Unidas (UNFSS+4), que decorre em Addis Abeba, Etiópia, de 27 a 29 de julho, reunindo líderes mundiais, ministros, representantes da sociedade civil, sector privado e organismos internacionais.

Na sua intervenção como orador convidado num painel de alto nível, Albino reafirmou a necessidade de maior comunicação e articulação entre Governo, parceiros e organizações não-governamentais, defendendo a criação de uma plataforma única, liderada pelo Executivo, para integrar acções e medir de forma objectiva o impacto no terreno. O ministro destacou que “Alimentar Moçambique” é a prioridade central do MAAP e que a nova abordagem governamental será orientada pela demanda, com o sector privado no centro, integrando pequenos produtores em sistemas de fomento e blocos produtivos.

Albino alertou para a necessidade de romper com o modelo assistencialista, que, segundo ele, não tem gerado transformação estrutural nem resultados sustentáveis, afectando a renda das famílias.

“Precisamos investir também em infra-estruturas resilientes, para um melhor uso da terra, da água e da gestão climática”, afirmou.

O encontro, organizado sob os auspícios da ONU e com apoio dos governos da Itália e Etiópia, pretende avaliar o progresso desde a cúpula inaugural em 2021 e impulsionar soluções inclusivas e financeiramente sustentáveis para transformar sistemas alimentares em motores do desenvolvimento global. Com pouco mais de cinco anos para o cumprimento da Agenda 2030, os participantes reforçaram que a transformação dos sistemas alimentares é crucial para erradicar a fome, reduzir desigualdades, combater as mudanças climáticas e proteger a biodiversidade.

Moçambique participa ao nível ministerial, reafirmando o compromisso com políticas públicas voltadas à segurança alimentar, agricultura sustentável e desenvolvimento rural inclusivo. O evento também evidencia o papel estratégico de África, que apresenta soluções baseadas em saberes tradicionais, inovação tecnológica e cooperação regional.

Durante os três dias de trabalhos, serão debatidas propostas para ampliar o financiamento climático e alimentar, fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e assegurar a participação efectiva de jovens, mulheres e agricultores familiares nos processos decisórios, alinhando estratégias aos compromissos climáticos e à recuperação económica pós-crises recentes.

“Esperamos alinhamento de todos e engajamento dos parceiros nesta nossa abordagem. Precisamos de mecanismos de financiamento inteligentes, combinando doações e créditos correspondentes, com instituições públicas e privadas fortes, e não apenas gestão por projetos. Assim garantiremos a sustentabilidade das intervenções”, concluiu Albino.

À margem da cúpula, o ministro manteve encontros bilaterais com várias personalidades, incluindo a ex-ministra francesa Chrysoula Zacharopoulou, candidata ao posto de administradora do PNUD; e os ministros da Agricultura de Omã, Azerbaijão e da Etiópia, Girma Amente — este último reconhecido por liderar a transformação que fez da Etiópia exportadora de trigo em menos de cinco anos.

Foram firmados entendimentos para reforçar a cooperação bilateral e promover trocas de experiências nas áreas de actuação do MAAP. A delegação moçambicana é composta pela Embaixadora Ana Uaiene, quadros do ministério e da embaixada de Moçambique na Etiópia.

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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