Timbane critica falta de publicação de diploma sobre restrições à importação

O analista Tomás Timbane criticou duramente a ausência de publicação do diploma conjunto que deveria regulamentar o Decreto n.º 51/2025, de 29 de Dezembro, e o Diploma Ministerial n.º 132/2025, de 31 de Dezembro, alertando para os riscos económicos e jurídicos decorrentes da indefinição.

Segundo Timbane, apesar de os prazos legais já terem expirado, o Governo ainda não tornou público o instrumento normativo indispensável para operacionalizar as novas restrições à importação de diversos produtos, incluindo arroz e trigo.

O Diploma Ministerial n.º 132/2025 determina que a importação destes dois cereais passe a ser coordenada exclusivamente pelo Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), com início previsto para 1 de Fevereiro no caso do arroz e 1 de Maio para o trigo. No entanto, de acordo com Timbane, até ao momento não foram divulgadas as regras operacionais que definem procedimentos, critérios e mecanismos de transição.

“O que existe é um vazio normativo preocupante”, afirma o analista, sublinhando que importadores, industriais e operadores da cadeia de abastecimento alimentar continuam sem orientação formal.

Timbane refere ainda que, em encontros recentes entre o Governo, o ICM e o sector privado, foi reiterada a promessa de divulgação do regulamento “nos próximos dias”, mas nenhuma proposta concreta foi apresentada. Para o analista, esta situação abre espaço à aplicação de orientações administrativas informais, algumas com carácter sancionatório, adoptadas de forma diferenciada entre empresas e sem base legal clara.

Na sua avaliação, a centralização das importações no ICM, sem regulamentação transparente e previamente publicada, coloca em risco investimentos de muitos milhões de dólares, pode resultar na perda de milhares de postos de trabalho e comprometer contratos internacionais já firmados.

Timbane alerta igualmente para a possibilidade de ruptura de stocks, aumento dos custos de produção e maior vulnerabilidade das cadeias industriais dependentes de matérias-primas importadas, caso o processo continue a ser conduzido sem regras públicas e previsíveis.

Face ao impacto económico e social das medidas, o analista defende que, se as restrições não forem suspensas para melhor formulação, o Governo deve publicar com urgência o diploma regulamentar previsto na lei, garantindo transparência, segurança jurídica e tratamento uniforme dos operadores económicos.

“Sem previsibilidade regulatória, o mercado não funciona de forma saudável”, conclui Timbane num texto publicado nesta terça-feira nas redes sociais manifestando expectativa de que o Conselho de Ministros possa trazer esclarecimentos nos próximos dias.

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

Share
Published by
Nádio Jaime Taimo

Recent Posts

Detido por alegadas ofensas à Primeira-Dama denuncia tortura e questiona provas da acusação

Nelson Bernardo Alfredo afirma estar detido há mais de 130 dias e denuncia agressões durante…

8 horas ago

MDM acusa Governo de incompetência na gestão do PESOE e rejeita revisão orçamental

A Bancada Parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) votou contra a proposta de alteração…

1 dia ago

ÚLTIMA HORA: Inocêncio Manhique retido na 5ª Esquadra e denuncia retenção ilegal da sua viatura

O activista Inocêncio Manhique encontra-se, neste momento, na 5.ª Esquadra da Polícia, na Cidade de…

2 dias ago

ÚLTIMA HORA: António Muchanga expulso da RENAMO

O Conselho Nacional da RENAMO, reunido em Maputo, no segundo dia dos trabalhos, votou a…

4 dias ago

Danúbio Lado abandona a ZHONGMEI, mas mantém “boa relação” com antigos sócios

INVESTIGAÇÃO | DANÚBIO LADO, ZHONGMEI E HEFENG DONG: AS CONEXÕES QUE ATRAVESSAM EMPRESAS E OBRAS PÚBLICAS…

4 dias ago

De Machipanda a Dondo, passando por Chibuto e Chinde: as conexões entre empresas chinesas que atravessam o Centro e o Sul

INVESTIGAÇÃO | MINERAÇÃO, CONSTRUÇÃO E LOGÍSTICA: AS LIGAÇÕES EMPRESARIAIS CHINESAS EM MOÇAMBIQUE O 4Vês Repórter…

5 dias ago