terça-feira, 3 de novembro de 2026

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Actualidade de Moçambique

Dois chineses sequestrados em Chimoio, mas SERNIC ainda no silêncio

Dois cidadãos chineses ligados à indústria extractiva foram sequestrados na noite de domingo, 1 de Novembro, na cidade de Chimoio, província de Manica. As vítimas foram retiradas dos quartos onde se encontravam alojadas, nas instalações da empresa onde trabalham, depois da invasão de um grupo de indivíduos. Os dois empresários terão sido localizados na madrugada desta segunda-feira (2), estando sob custódia das autoridades. Entretanto, informações ainda por confirmar apontam para o alegado envolvimento de agentes da Polícia no crime.

De acordo com informações recolhidas pelo 4Vês Repórter junto de fontes próximas da empresa, o sequestro ocorreu depois de os dois cidadãos chineses terem levantado avultadas somas de dinheiro num banco comercial, destinadas a cobrir despesas operacionais da empresa. Os valores seriam utilizados, entre outras finalidades, para pagamentos relacionados com as actividades da companhia.

Os dois empresários estão ligados ao sector da indústria extractiva naquela região do país. Uma fonte próxima revelou que uma das vítimas chegou recentemente a Moçambique e ainda não tinha completado um mês no país quando caiu nas mãos dos sequestradores.

Segundo uma fonte ligada à empresa, os indivíduos que protagonizaram a invasão terão destruído alguns bens existentes nos quartos dos empresários, numa aparente tentativa de verificar se havia câmaras de vigilância escondidas nos compartimentos. A actuação dos indivíduos levanta suspeitas sobre o grau de preparação e conhecimento que estes poderiam ter relativamente à rotina das vítimas e às instalações da empresa.

A mesma fonte revelou que tem sido uma prática recorrente entre alguns empresários chineses levantar e transportar quantias avultadas em dinheiro físico para assegurar pagamentos aos trabalhadores e outras despesas da empresa, em detrimento da utilização de mecanismos bancários. Uma prática que, para além de aumentar os riscos de segurança, pode tornar estes empresários alvos de grupos criminosos que acompanham os seus movimentos financeiros.

Pressão chinesa e mobilização policial

Na tarde de segunda-feira (2), fontes ligadas às investigações avançaram ao 4Vês Repórter que estava em curso uma forte mobilização das forças policiais para esclarecer o caso e localizar os cidadãos sequestrados. A operação terá contado com a participação de altas patentes da Polícia a nível provincial, estando igualmente prevista a intervenção de responsáveis do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique, num contexto de pressão para uma rápida resolução do crime.

O caso terá provocado preocupação ao nível da representação diplomática chinesa em Moçambique, que acompanha com atenção o desenrolar dos acontecimentos e pressiona para a rápida localização e recuperação dos seus cidadãos.

Sob condição de anonimato, uma fonte ligada à Embaixada da China em Moçambique confirmou ao 4Vês Repórter que a informação sobre o sequestro era bastante preocupante e já provocava inquietação naquela instituição.

Entretanto, na madrugada de segunda-feira (2), fontes próximas das operações avançaram que os dois cidadãos chineses tinham sido localizados e encontravam-se já sob custódia das autoridades. Na mesma ocasião, começaram a circular informações sobre a alegada detenção dos indivíduos envolvidos no sequestro, com suspeitas de participação de agentes da Polícia.

“Os homens foram encontrados. Graças a Deus. Graças à intervenção do Governo chinês, que assessorou as nossas forças”, contou uma das fontes ao 4Vês Repórter.

Questionada sobre a identidade dos sequestradores e a possibilidade de envolvimento de membros das forças policiais, a fonte respondeu: “Dizem que eram polícias. Mas já está tudo resolvido”.

Apesar da localização das vítimas, permanecem por esclarecer as circunstâncias exactas do crime, a identidade dos seus autores e a eventual participação de agentes do Estado. Caso se confirme o envolvimento de membros da Polícia, o episódio poderá levantar questões particularmente graves sobre a integridade das instituições responsáveis pela protecção dos cidadãos e o combate à criminalidade.

SERNIC continua no silêncio

O 4Vês Repórter contactou, ao final da tarde de segunda-feira (2), o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), através do responsável pela área de Relações Públicas, com o objectivo de obter informações oficiais sobre o sequestro e os desenvolvimentos das investigações.

Entretanto, o responsável afirmou não ter conhecimento do caso, apesar de já terem decorrido várias horas desde a ocorrência e de circularem informações sobre a localização das vítimas. Na ocasião, comprometeu-se a inteirar-se do assunto e a regressar com informações adicionais. Antes da publicação desta notícia, o jornal voltou a tentar estabelecer contacto com o mesmo responsável, mas as chamadas não foram atendidas.

Importa referir que o 4Vês Repórter teve conhecimento do sequestro na tarde de segunda-feira (2), através de uma fonte ligada às forças policiais, que denunciou a ocorrência e afirmou que o caso estaria a ser mantido sob reserva. Na descrição da fonte, tratava-se de uma situação que “estava sendo escondida”. Até ao fecho desta edição, o SERNIC não tinha prestado esclarecimentos adicionais sobre o caso, nem havia confirmação oficial sobre o sequestro, nem a eventual detenção dos suspeitos ou o alegado envolvimento de agentes da Polícia.

NTAIMO

Sobre o autor

Nádio Jaime Taimo

Nádio Jaime Taimo é um jornalista, activista e líder cívico moçambicano. Nascido a 6 de Novembro de 1995 na Cidade da Matola , ele exerce a função de Director Executivo do 4Vês Repórter, um órgão de comunicação social e projecto informativo. Em sua actuação profissional e cívica, destaca-se por defender um jornalismo pautado na imparcialidade , além de conduzir parcerias com organizações da sociedade civil — como a AMJIGE — para promover campanhas e conteúdos de interesse público.

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