Foi inaugurada recentemente no distrito do Dondo, província de Sofala, a primeira fábrica do país de descasque e processamento de gergelim e produção de óleo, uma unidade industrial que já está em funcionamento e emprega cerca de mil trabalhadores, 95 por cento dos quais locais.
Procedeu à inauguração o Presidente da República, Daniel Chapo.Com capacidade para processar 50 mil toneladas de gergelim por ano, a nova unidade industrial pertence à empresa Robust Internacional, cuja sede está em Singapura. O projecto está avaliado em 30.132.458 (trinta milhões, cento trinta e dois mil e quatrocentos cinquenta e oito dólares).
A fábrica visa transformar o gergelim produzido localmente em óleo e outros subprodutos, destinados essencialmente para exportação, para o Japão, a Coreia e outros países da América e Europa.Equipada com maquinaria moderna, o projecto visa reforçar a cadeia de valor do sector agrícola do país, aumentar o emprego local e contribuir para o crescimento económico nacional e aumento de entrada de divisas.

Falando na cerimónia de inauguração, o Presidente da República, Daniel Chapo, destacou que a infraestrutura marca o início de uma “nova era” para a agricultura e a industrialização de Moçambique.O Chefe de Estado sublinhou que, durante décadas, os produtos agrícolas como o gergelim e a castanha de caju, saíam do país em bruto, sem gerar o devido valor acrescentado para as famílias moçambicanas.
“Hoje, damos um passo histórico porque deixamos de ser apenas produtores de matéria-prima para passarmos a exportar produtos transformados e com valor acrescentado, orgulhosamente feitos em Moçambique”, afirmou Chapo, em referência ao gergelim, pois, como acrescentou, a castanha de caju continua a ser exportado em bruto.
Segundo o Presidente da República, a unidade fabril inaugurada simboliza um passo firme rumo à independência económica do país, criando empregos para jovens e mulheres, aumentando igualmente as exportações agrícolas e fortalecendo as economias locais.

Daniel Chapo destacou ainda que, com o funcionamento da nova fábrica, Moçambique passa a reter mais divisas, aumentar a arrecadação fiscal e gerar rendimento para mais de 35 mil famílias de pequenos produtores de gergelim espalhadas essencialmente pela província de Sofala, mas também por Manica, Tete e Zambézia.
Na cerimónia onde estiveram presentes vários membros do Governo, autoridades locais, representantes diplomáticos, produtores agrícolas e líderes comunitários, Chapo acrescentou que cada semente de gergelim processada na fábrica, representa um futuro mais próspero para o povo. “O que antes saía do país em bruto, agora sai com valor acrescentado e com o selo ‘Made in Mozambique’”, disse Chapo.
O PR referiu que Moçambique é o oitavo maior produtor de gergelim do mundo e, com a instalação da referida fábrica, pode-se aumentar a sua produção e, quiçá, o país tornar-se até o maior produtor mundial.Por seu turno, o Director Executivo da Robust Internacional, Naarayan Raagavan, afirmou que a fábrica foi construída com dedicação e tecnologia de ponta, com trabalhadores que vão exercer as suas actividades em vários turnos.
“Esta unidade é mais do que uma infra-estrutura industrial. É uma fonte de oportunidades para os jovens e as mulheres moçambicanas, um símbolo de inclusão e desenvolvimento”, afirmou Raagavan.
Raagavan explicou que a empresa está a estabelecer parcerias com Universidades e Colégios moçambicanos para formar novos técnicos e gestores locais, de modo que, no futuro, a fábrica seja gerida inteiramente por moçambicanos. Para já, os técnicos em operação estão a ser formados na fábrica.Robust Internacional opera em vários países africanos, asiático e europeus, e que o investimento em Sofala reforça a confiança da empresa no potencial agrícola e humano de Moçambique.
“Acreditamos que o futuro da agricultura africana está na transformação local e na criação de prosperidade para as comunidades. Esta fábrica representa o nosso compromisso com esse futuro”, frisou.Para além dos empregos directos, o projecto deverá impulsionar o comércio local, o transporte, a produção agrícola e o fornecimento de serviços em toda a região, consolidando Dondo como um novo polo agroindustrial de Moçambique.
“Hoje inauguramos uma fábrica, mas, acima de tudo, inauguramos uma esperança para os jovens e as mulheres de Moçambique. Que esta semente industrial floresça em todas as províncias”, concluiu Raagavan.
O governador de Sofala, Lourenço Bulha, mostrou-se satisfeito com a inauguração da fábrica que “garante a valorização dos pequenos produtores locais” que terão, doravante, “mercado garantido para a sua produção de gergelim”.O representante da Embaixada dos Países Baixos, Ernesto Sechene, que falou na ocasião em nome do Banco de Desenvolvimento Holandês (FMO), um dos sete bancos de desenvolvimento que garantiu, em forma de empréstimo, parte do capital para a efectivação do projecto, referiu que se deve valorizar os pequenos produtores locais, pois são eles que vão garantir o funcionamento da fábrica.
Moçambique tem uma produção estimada de 200 mil toneladas de gergelim por ano, 25 por cento dos quais produzidos em Sofala. Tal é garantido por cerca de 350 mil pequenos produtores espalhados pelas províncias de Cabo Delgado, Zambézia, Tete, Nampula, Manica e Sofala.Em Sofala, os distritos maiores produtores são o Dondo, Caia, Chemba, Marínguè, Nhamatanda e Gorongosa.

