Numa decisão que abalou o cenário político da província da Zambézia, o Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, anunciou a demissão de todo o Governo Municipal da cidade, com efeitos imediatos. A informação foi confirmada oficialmente pela assessoria do Conselho Municipal na manhã do dia 3 de Janeiro de 2026, marcando o primeiro grande ato administrativo do ano.
A medida representa o ponto mais alto de uma tensão latente na administração local, que se vinha agravando desde o último trimestre de 2025. Durante aquele período, críticas internas à gestão municipal, a crescente pressão da sociedade civil e as dificuldades persistentes na resposta aos problemas urbanos, como saneamento, ordenamento e manutenção da infraestrutura, tornaram-se insustentáveis.
Para consolidar a mudança, o edil do chamado “Pequeno Brasil”, Manuel de Araújo, realizou na segunda-feira, 5 de Janeiro, a VI Sessão Extraordinária do Conselho Municipal. O encontro teve como objectivo principal a apresentação e análise do balanço do exercício administrativo de 2025, permitindo avaliar o desempenho de cada sector da administração municipal ao longo do ano anterior.
A sessão contou com a presença de vereadores, directores de empresas municipais, chefes de postos administrativos e coordenadores de projectos, todos chamados a prestar contas. Durante o encontro, Araújo enfatizou a necessidade de resultados concretos e de maior eficiência na gestão pública, sublinhando que a transparência e a responsabilidade são fundamentais para recuperar a confiança da população e das instituições.
Fontes próximas à autarquia destacaram que a sessão não se limitou a formalidades burocráticas. Foram debatidos os desafios financeiros, logísticos e operacionais enfrentados em 2025, com especial atenção para áreas críticas como saneamento, ordenamento urbano e manutenção da infraestrutura pública. Cada departamento foi instado a apresentar soluções e planos de melhoria, numa tentativa de redefinir a dinâmica da gestão municipal.
A realização da sessão nos primeiros dias de Janeiro sinaliza a intenção de Manuel de Araújo de começar 2026 com uma “folha em branco” na governação de Quelimane, impondo um novo ritmo de responsabilidade e prestação de contas. A população, enquanto observa, aguarda para ver se os compromissos assumidos e os balanços apresentados realmente se traduzirão em mudanças concretas nas ruas da cidade, onde problemas antigos continuam a desafiar a administração.
A decisão de demitir todo o Governo Municipal e de realizar uma sessão extraordinária tão cedo no ano demonstra a determinação do edil em redefinir a governação local. Agora, cabe à nova equipa que será formada transformar o discurso e os planos apresentados em resultados tangíveis para os munícipes de Quelimane.

