Suposta rede clandestina de energia deixa dezenas de famílias às escuras em Mavoco

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Moradores da localidade de Mavoco, na província de Maputo, denunciaram a existência de um alegado esquema de “nhonguismo” no seio da Electricidade de Moçambique (EDM), levantando sérias suspeitas sobre a actuação de alguns funcionários da empresa naquela região. De acordo com os denunciantes, no ano passado uma equipa da EDM deslocou-se ao bairro e garantiu aos residentes que, em menos de uma semana, a comunidade passaria a dispor de energia eléctrica, uma promessa que acabou por ser cumprida dentro do prazo anunciado.

Apesar da satisfação inicial, os moradores começaram a desconfiar da legalidade da ligação quando surgiram informações de que a rede teria sido instalada de forma clandestina, alegadamente por funcionários da própria instituição, beneficiando mais de 20 famílias. Durante cerca de dois meses, a electricidade foi fornecida de forma regular e os consumidores efectuaram os respectivos pagamentos através do sistema Credelec, sem que, aparentemente, existissem irregularidades visíveis.

Nesse período, três equipas de fiscalização da EDM passaram pelo local e confirmaram a legalidade da instalação, reforçando a convicção dos moradores de que a ligação obedecia aos procedimentos normais. No entanto, a situação alterou-se drasticamente com a chegada de uma quarta equipa de fiscalização, que declarou toda a rede ilegal e ordenou a sua desinstalação imediata. Segundo os fiscais, a irregularidade residia no facto de os pagamentos do Credelec estarem a ser registados no distrito de Boane, quando, por se tratar de Mavoco, deveriam constar na cidade da Matola.

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Com base nesse argumento, a infra-estrutura eléctrica foi completamente removida, deixando dezenas de famílias novamente às escuras, muitas delas com electrodomésticos danificados e actividades económicas paralisadas. Os moradores dizem sentir-se vítimas de um esquema obscuro, no qual cumpriram todas as orientações que lhes foram dadas e, ainda assim, acabaram penalizados.

O caso levanta várias questões que permanecem sem resposta, nomeadamente quem autorizou a instalação inicial da rede, como é que três fiscalizações sucessivas validaram uma ligação posteriormente considerada ilegal e qual é o paradeiro do dinheiro pago pelos consumidores durante os dois meses de fornecimento de energia.

Até ao momento, a Electricidade de Moçambique não prestou esclarecimentos públicos sobre a identidade dos responsáveis pela ligação nem explicou de forma convincente os fundamentos da alegada ilegalidade da rede, o que continua a alimentar suspeitas de corrupção interna e a aumentar a indignação dos moradores, que exigem responsabilização dos envolvidos e a reposição do fornecimento de energia de forma legal, transparente e definitiva.

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