Seleção apertada e descontentamento marcam recrutamento da PRM em Inhambane

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Apenas 340 candidatos, de um universo de cerca de oito mil concorrentes, foram apurados para a fase final do recrutamento da Polícia da República de Moçambique (PRM), na província de Inhambane. O processo, iniciado no ano passado, ficou marcado por elevada procura, número reduzido de vagas e crescente insatisfação entre os candidatos excluídos.

O anúncio foi feito na tarde desta sexta-feira pela comandante provincial da PRM em Inhambane, Joana Zaqueu Melice, durante um encontro com a imprensa destinado a esclarecer o ponto de situação do concurso. Segundo a comandante, o recrutamento decorreu em várias etapas, incluindo submissão e triagem documental, provas físicas, testes escritos, exames médicos e entrevistas.

Os candidatos agora apurados seguem para a fase de auscultação comunitária, considerada decisiva para aferir o perfil moral e social dos concorrentes. Esta etapa terá lugar entre os dias 10 e 15 do mês em curso, em todos os distritos da província.

Além dos selecionados, cerca de 720 candidatos foram considerados aptos, mas ficaram de fora devido à limitação de vagas. Estes passam a integrar uma bolsa válida por três anos, período durante o qual poderão ser chamados para a formação. “Temos muitos jovens com capacidade, mas as vagas são limitadas”, afirmou Joana Melice.

Os números revelam a forte pressão social sobre o recrutamento policial, encarado por muitos jovens como uma das poucas vias de acesso ao emprego formal. Mais de 90% dos candidatos acabam por não ingressar na corporação nesta fase.

A comandante reconheceu a existência de descontentamento e reclamações, mas defendeu que estas devem ser apresentadas através dos canais administrativos apropriados.
“Quem se sentir prejudicado deve apresentar reclamação formal. Não é aceitável recorrer a distúrbios”, advertiu.

A PRM apelou ainda à colaboração das comunidades na identificação de candidatos com comportamentos incompatíveis com a função policial, como envolvimento com drogas ou práticas criminosas.
“O candidato vem da comunidade. Precisamos do apoio da população para garantir que entram apenas jovens com boa conduta”, disse Melice.

Apesar de apresentada como um mecanismo para reforçar a credibilidade do processo, a auscultação comunitária levanta reservas entre alguns observadores, que alertam para o risco de denúncias motivadas por conflitos pessoais ou rivalidades locais.

A comandante esclareceu igualmente que vários candidatos foram excluídos por problemas de saúde ou condições físicas incompatíveis com a atividade policial, incluindo casos de obesidade severa.
“Não se trata de discriminação, mas de exigências profissionais”, sublinhou.

A lista definitiva dos candidatos admitidos à formação básica deverá ser divulgada após a conclusão da auscultação comunitária. Até lá, os não apurados aguardam por novas oportunidades, num contexto de forte concorrência e escassez de emprego formal.

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