Inacção e contradições: “Vergonhoso” discurso do governo gera reacções entre profissionais de saúde

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou recentemente a possibilidade de uma nova greve nacional, em decorrência da inércia do governo em cumprir os compromissos estabelecidos em negociações anteriores. A manifestação da APSUSM provocou uma resposta do governo através de seu porta-voz. No entanto, Anselmo Muchave, Presidente da APSUSM, criticou a comunicação governamental, que não foi bem recebida pelos profissionais de saúde.

Além da convocação para a greve, a associação denunciou ameaças de morte dirigidas a seus membros, incluindo o assassinato de um profissional de saúde e uma tentativa de homicídio contra um delegado da associação na província de Gaza.

Após uma paralisação em junho de 2023, a APSUSM havia negociado com o governo, resultando em promessas de melhorias nas condições de trabalho. Contudo, dois anos depois, a associação afirma que essas promessas foram ignoradas, levando à decisão de convocar uma nova greve. Entre as principais reivindicações estão o pagamento integral de horas extras e turnos referentes a 2023, o reenquadramento na Tabela Salarial Única dos profissionais de saúde do Regime Geral, o pagamento do subsídio de exclusividade e a redução dos descontos aplicados a estudantes bolseiros da área da saúde.

Em resposta à comunicação do governo, a APSUSM informou que enviou ofícios ao Ministério da Saúde e ao Gabinete da Primeira-Ministra em 6 de março de 2025, alertando sobre a possibilidade de greve caso os problemas não fossem resolvidos. Anselmo Muchave destacou que, na reação do governo, foi alegado que o governo tomou conhecimento da greve apenas pela imprensa.

“Para o efeito, enviamos ofícios ao MISAU e ao Gabinete da Primeira-Ministra em 6 de março de 2025, dentro do prazo adequado (conforme atestam as cópias dos protocolos de entrada enviados à 4Vês Repórter). Para nossa incredulidade, o porta-voz do governo afirmou em alto e bom som que o governo só teve conhecimento do nosso ofício pela imprensa nacional”, reagiu Muchave.

Anselmo Muchave foi além, fazendo críticas ao governo, que, segundo ele, afirmou que “a associação não mostrou interesse em dialogar com o governo”. “Isto é, no mínimo, desconcertante e vergonhoso de ouvir vindo de um alto representante do estado, pois, anteriormente a este último ofício de aviso de greve, submetemos outros ao MISAU requerendo um encontro para dialogar e encontrar soluções para os aspectos não cumpridos dos acordos anteriormente firmados com o governo”, acrescentou.

Além das reivindicações trabalhistas, a APSUSM denunciou um clima de intimidação crescente contra seus membros. O presidente da associação, Anselmo José Rafael Muchave, relatou que um profissional de saúde foi assassinado enquanto aguardava transporte para casa e que um delegado da organização em Gaza sofreu uma tentativa de homicídio. A APSUSM condenou esses actos e exigiu medidas urgentes para proteger os profissionais de saúde.

Apesar das adversidades, a APSUSM reafirmou seu compromisso em lutar pelos direitos dos profissionais de saúde e expressou gratidão pelo apoio de seus associados.

“Não nos desviaremos dos objectivos a que nos propusemos alcançar sob quaisquer circunstâncias”, enfatizou Muchave.

Com a situação se agravando, todos os olhares estão voltados para a resposta do governo e as acções que serão implementadas para garantir o cumprimento dos compromissos assumidos e a segurança dos trabalhadores da saúde em Moçambique.

Siga-nos e curta nossa página:
error7
fb-share-icon
Tweet 20
fb-share-icon20

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *