Mozambique First: A Revolução Silenciosa das Igrejas na Busca pela Paz Duradoura

Nos bastidores das manchetes diárias que relatam desafios e incertezas, um movimento silencioso, mas poderoso, está ganhando força em Moçambique. De 25 a 27 de março, líderes cristãos de diferentes denominações e influências se reunirão sob a bandeira do Movimento “Mozambique First”, uma iniciativa ousada que visa não apenas aliviar os sintomas da crise social, mas erradicá-los pela raiz.

“Quando se tem uma dor de cabeça, é possível tratar os sintomas com remédios, mas, se a causa subjacente não for tratada, a dor voltará”, alerta o Bispo Dambo, Presidente do Conselho Cristão de Moçambique (CCM) e um dos líderes do movimento. Suas palavras refletem a essência dessa missão: não basta orar pela paz; é preciso agir para construí-la de forma sustentável.

O evento reunirá líderes religiosos seniores, activistas comunitários e jovens influenciadores, todos comprometidos em formular estratégias que combatam as verdadeiras causas da instabilidade e da pobreza no país. Xavier Massingue, da Associação Evangélica de Moçambique (AEM) e co-líder da iniciativa, destaca a necessidade de uma visão de longo prazo.

“Temos orado, construído pontes e facilitado diálogos durante a recente crise política em Moçambique. Mas a paz verdadeira só será alcançada quando atacarmos os factores estruturais que alimentam o descontentamento”, afirma Massingue.

A Igreja como Pilar da Mudança Social

Além de promover a reconciliação, as igrejas integrantes do “Mozambique First” estão se preparando para um desafio ainda maior: capacitar comunidades a romperem com o ciclo da pobreza e da dependência externa.

O movimento está desenvolvendo programas de advocacy e iniciativas autossustentáveis, que permitem que as próprias populações tomem as rédeas de seu desenvolvimento. A grande aposta do movimento reside no conceito de Transformação da Igreja e Comunidade (CCT), um modelo inovador que capacita igrejas locais a se tornarem agentes de mudança, ajudando seus membros a identificarem soluções dentro de suas próprias comunidades.

O CCT, que já impactou diversas nações africanas através da plataforma “África Abundante”, está se consolidando em Moçambique como um divisor de águas no combate à desigualdade. Com um olhar voltado para o futuro, o “Mozambique First” não quer apenas curar feridas do presente, deseja evitar que novas sejam abertas.

O encontro desta semana pode ser um marco na jornada do país rumo a uma paz genuína e duradoura. Porque, no fim das contas, transformar uma nação começa com aqueles que têm a coragem de acreditar que a mudança é possível – e agir para torná-la realidade. Essa revolução silenciosa, liderada pelas igrejas, pode ser o catalisador necessário para um futuro mais justo e próspero para todos os moçambicanos.

Jornalista: Augusto Nhamtumbo

Siga-nos e curta nossa página:
error7
fb-share-icon
Tweet 20
fb-share-icon20

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *