“Que tenha coragem de reconhecer nossa diversidade política, apreciá-la e acarinhá-la”, escreve Lino Eustáquio para Chapo

 O recente aperto de mão entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o engenheiro Venâncio Mondlane gerou esperança entre muitos moçambicanos que anseiam por um diálogo político mais inclusivo. No entanto, a iniciativa também levanta dúvidas: trata-se de um verdadeiro compromisso com a unidade nacional ou apenas uma manobra política?

Em uma carta aberta dirigida ao Presidente Chapo, Lino Eustáquio, um ex-membro da OJM que abandonou após ser negado apoio a candidatura a Presidência do CNJ em 2020, tendo apostado depois em candidatura independente e perdeu para Emilia Chambalo da OJM, expressou sua preocupação com o rumo do país, destacando o agravamento da exclusão social e política. Segundo ele, Moçambique enfrenta desafios estruturais que só podem ser superados com a participação de todas as forças políticas e sociais.

Eustáquio enfatiza que um verdadeiro diálogo deve ir além de gestos simbólicos e abordar de forma prática as reivindicações dos cidadãos. “Esperamos que tenha a coragem de reconhecer a nossa diversidade política, apreciá-la e acarinhá-la”, escreveu, ressaltando que a exclusão de vozes dissidentes só agrava a instabilidade no país.

A carta também destaca a necessidade de enfrentar os interesses obscuros que perpetuam divisões internas e impedem avanços políticos e sociais. Para Eustáquio, muitos indivíduos dentro do governo utilizam a política como meio de autopromoção, em vez de promover o desenvolvimento colectivo. “São esses que Sua Excelência prometeu combater e não querer no seu governo”, lembrou.

O encontro entre Chapo e Mondlane simboliza uma tentativa de aliviar as tensões que marcaram o país nos últimos anos, especialmente após as últimas eleições. No entanto, o autor da carta alerta que este diálogo deve ser breve e eficaz, atendendo às verdadeiras necessidades do povo moçambicano.

“Que nos encoraje a acreditar e a ter esperança de que esta nação pode dar uma vida melhor aos seus filhos e às suas filhas, que se fortaleça o sentimento de unidade, paz, irmandade e diversidade positiva”, finalizou Eustáquio.

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