O recém-nomeado administrador do distrito de Manica, Paulo Quembo Raposo, foi desafiado esta segunda-feira (30) a promover uma mineração artesanal sustentável, como resposta aos crescentes impactos ambientais que esta atividade tem provocado na região. A cerimónia oficial de apresentação decorreu perante membros do governo local, líderes comunitários e representantes da sociedade civil.
A mineração artesanal, prática dominante em várias comunidades do distrito, tem contribuído significativamente para a degradação ambiental, sendo apontada como uma das principais causas da poluição dos rios e albufeiras da região.
Esta situação tem afetado diretamente a qualidade da água, provocando o assoreamento dos cursos fluviais e forçando centenas de famílias camponesas e operadores agrícolas a abandonarem as zonas de cultivo devido à escassez de água potável e de irrigação. Durante o seu discurso, Paulo Quembo reconheceu os desafios e destacou a importância de criar um ambiente de negócios mais equilibrado e sustentável.
Ja a Governadora da província de Manica, Francisca Tomás, que presidiu a cerimónia, apelou a uma governação participativa e a uma maior articulação com as empresas mineiras da região. Para a governante torna-se urgente que estas empresas cumpram com as suas responsabilidades sociais e contribuam para o desenvolvimento sustentável das comunidades onde operam. E assim espera do novo administrador uma presença constante no terreno e diálogo permanente com todos os intervenientes.
Além dos desafios ambientais, Francisca Tomás sublinhou a posição estratégica de Manica, localizada numa zona transfronteiriça e atravessada pela Estrada Nacional Número 6 (EN6), que liga o país ao Zimbabwe. Neste contexto, destacou a necessidade de reforçar a convivência pacífica entre as comunidades e melhorar o ambiente de negócios, como condição para o desenvolvimento socioeconómico da região.
Paulo Quembo Raposo sucede a Vitorino Lundo na liderança do distrito de Manica durante 45 dias, num momento em que se intensificam os apelos por maior fiscalização das atividades extrativas e por uma abordagem integrada de governação local, que concilie desenvolvimento económico com proteção ambiental.

