Vice-presidente do CNJ entre os três candidatos a sucessão de Livone na OJM

A Organização da Juventude Moçambicana (OJM), braço juvenil da FRELIMO, prepara-se para a realização da sua VII Conferência Nacional, que contará com mais de 1200 participantes e a presença de delegações de organizações juvenis internacionais, incluindo o ANC (África do Sul), MPLA (Angola), Xama Xama Pinduze (Zimbábue), ANPF (Tanzânia) e o Partido Comunista da China.

Um dos principais destaques do evento será a eleição da nova liderança da OJM, que acontecerá no último dia da conferência. Três candidatos apresentaram oficialmente as suas candidaturas dentro do prazo estipulado, sendo o nome de Constantino André o mais sonante na corrida e a sua candidatura vem do nível Central.

Constantino André, natural da província de Gaza, é o actual Primeiro Vice-Presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) que cedeu a Presidência Interina para a Segunda Vice-Presidente Sonia Bila que ocupa a Direcção após a nomeação da Presidente Emilia Chambal ao cargo de Secretaria de Estado da Juventude. O mesmo ocupa o cargo de presidente do Conselho de Gerência Nacional da OJM.

“É um jovem com vasta experiência no movimento associativo juvenil, com formação superior em Diplomacia e Relações Internacionais em Moçambique e uma pós-graduação na República Popular da China. A sua trajectória no seio da juventude organizada confere-lhe um posicionamento de destaque na sucessão da direcção nacional da OJM”, disse Silva Livone numa conferência de imprensa nesta quarta-feira.

Os outros dois concorrentes são Baera Moreira, natural da Cidade de Maputo, secretário para a área de mobilização e propaganda e actual porta-voz da OJM. É finalista da Universidade Eduardo Mondlane e já exerceu funções de Presidente do Conselho Distrital da Juventude. O terceiro candidato é uma figura controversa bastante contestada ao nível da província de Tete por alguns dos seus camaradas, trata-se Samson Chongo, jovem empreendedor e militante veterano da organização, membro do Conselho Nacional pela província de Tete.

Samson Chongo, ocupa também o cargo de Secretário das Finanças do Comité da Cidade da Organização da Juventude Moçambicana (OJM) em Tete, encontra-se no centro de diversas denúncias e alegações de má conduta, práticas ilícitas e uso indevido de influência dentro das estruturas partidárias locais. Associado ao Primeiro Secretário do Comité da Cidade de Tete, Nicolau Zalimba, Chongo é descrito como peça-chave numa teia de favorecimentos políticos, tribalismo, intimidações e alegados desvios de fundos.

A sua candidatura já era esperada e anunciada a nível local, onde chegou a ser denunciado de alegada “ambição desmedida” porque se preparava para assumir o cargo de Secretário-Geral da OJM, alegadamente com apoio da Secretária Provincial da OJM, Hélder Pedro. Segundo os denunciantes, Chongo teria guardado cinco milhões de meticais para manipular a Conferência Nacional da OJM, comprando votos e apoios internos. A sua ligação incondicional a Nicolau Zalimba é vista como uma aliança tóxica para o partido, com ambos sendo descritos como “uma dupla perigosa” para os interesses juvenis e partidários em Tete.

Em conferência de imprensa, Silva Livone, dirigente da OJM, explicou que este processo decorre no âmbito de um amplo movimento de revitalização dos órgãos da organização, em cumprimento de uma directiva interna da FRELIMO aprovada em 2022. A nova orientação estabelece que os membros que atinjam os 35 anos de idade devem abandonar a OJM, uma medida que rompe com a directiva anterior, que permitia a permanência até ao final do mandato mesmo após ultrapassar o limite etário.

“A nova directiva traz conforto e clareza para os jovens que pretendem concorrer. Estabelecemos critérios de continuidade e renovação: 60% para continuidade e 40% para renovação; bem como equilíbrio de género: 60% de homens e 40% de mulheres”, afirmou Livone.

Uma inovação adicional é a estratificação etária dos órgãos da OJM. A nova regra determina a composição dos órgãos da seguinte forma: 25% de jovens entre 15 e 20 anos, 50% de jovens entre 21 e 30 anos, e 25% entre 31 e 35 anos. Esta medida visa garantir representatividade equilibrada e efectiva dos diferentes segmentos da juventude moçambicana, desde a base até ao nível central.

Com o cenário eleitoral em marcha e os candidatos formalmente reconhecidos, as atenções voltam-se agora para o desfecho do pleito, onde se espera que o futuro da OJM seja confiado a uma nova liderança alinhada com os desafios da juventude moçambicana contemporânea.

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