Activista Angela Luena denuncia entraves ao empreendedorismo juvenil: “Moçambique não pode continuar a esmagar quem quer trabalhar”

A activista social e empreendedora Angela Luena tornou pública uma carta aberta dirigida às autoridades e à sociedade moçambicana, na qual denuncia os crescentes obstáculos enfrentados por jovens que tentam desenvolver negócios de forma legal e independente no país. A carta da Activista denunciar medidas governamentais que dificultam a acção de jovens empreendedores e expõe incoerências nas decisões cambiais e aduaneiras.

No documento, Luena alerta para o contraste entre o discurso oficial que promove o empreendedorismo como saída para o desemprego juvenil e a realidade vivida por quem tenta seguir esse caminho. “Bem-vindos ao meu país onde se proclama que o empreendedorismo é a chave para o sucesso, mas onde, frequentemente, qualquer tentativa da juventude de prosperar é travada pelas próprias estruturas que deveriam apoiar esse progresso”, afirma.

A activista revela que chegou a ser indevidamente listada como uma “jovem agitadora”, apesar do seu historial de cidadania ativa e contribuição para o desenvolvimento nacional. “Nasci aqui, cresci aqui, estudei aqui. Viajei pelo mundo e trouxe ideias que poderiam enriquecer o nosso país”, defende.

Entre as medidas criticadas está a recente suspensão do uso de cartões bancários moçambicanos para pagamentos internacionais, imposta pelo Banco de Moçambique sob alegação de falta de divisas. Contudo, Luena aponta a contradição: “É possível adquirir grandes somas de dólares no mercado informal em poucos minutos. Apelámos, escrevemos, e até hoje não houve resposta.”

A activista também critica uma nova directiva aduaneira que impõe que todas as bagagens vindas da China sejam desembarcadas na Terminal de Cargas, com abertura obrigatória de malas e cobrança de uma taxa de 39% por unidade. “Por que bagagens pessoais são tratadas como carga comercial? Por que se cobra uma taxa superior aos 16% do IVA legal?”, questiona.

Luena alerta que tais medidas comprometem o crescimento de uma juventude que movimenta a economia com pequenas importações, emprega dezenas de compatriotas e promove soluções locais. “Será que o Governo está, de forma consciente ou não, a combater o crescimento de uma juventude trabalhadora, resiliente e determinada?”, desafia.

No fecho da carta, Angela Luena deixa um apelo contundente: “Moçambique não irá prosperar com prostituição institucionalizada, com tráfico, com corrupção ou com o esmagamento sistemático de quem quer trabalhar. Um país só avança quando respeita e protege quem se esforça para construir.” O desabafo gerou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre as políticas públicas voltadas à juventude empreendedora em Moçambique.

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