A Comissão Executiva Provincial do ANAMOLA escreve para o Partido FRELIMO e tornou pública uma nota de repúdio contra este partido no poder, acusando-o de protagonizar actos de intolerância política, provocação e perseguição durante a visita de trabalho do seu Secretário-Geral do ANAMOLA ao distrito de Magude, realizada no passado dia 11 de Fevereiro de 2026.
Segundo a nota que o 4Vês Repórter teve acesso, a deslocação política foi previamente comunicada às autoridades distritais, cumprindo, de acordo com a ANAMOLA, todos os procedimentos legais exigidos. A agenda inicial previa a presença do presidente do partido Venâncio Mondlane, mas, por motivos de agenda, a visita passou a ser conduzida pelo Secretário-Geral.
A ANAMOLA sustenta que submeteu às instituições competentes um cronograma detalhado, incluindo o roteiro, os locais e os horários das actividades, com o objectivo de garantir um ambiente “ordenado, pacífico e democrático”.
No entanto, o partido afirma que tais diligências não impediram aquilo que classifica como uma “violação grave do pluralismo político”, princípio consagrado no artigo 74 da Constituição da República.
Acusações de obstrução deliberada
De acordo com a nota, membros da FRELIMO terão organizado, no mesmo horário e local, na localidade de Maguiguane, uma actividade alegadamente destinada a tapar um buraco existente na via pública. Para a ANAMOLA, tal acção teria sido uma manobra deliberada para inviabilizar o seu encontro político.
Perante o que considerou uma provocação, a caravana do partido decidiu transferir a actividade para o Mercado de Mussinhene. Contudo, segundo a denúncia, membros da FRELIMO ter-se-ão igualmente deslocado ao novo local, onde alegadamente tentaram perturbar e intimidar os participantes, chegando, conforme o comunicado, a tentar sabotar o discurso do Secretário-Geral.
O episódio reacende o debate sobre o ambiente de tolerância política em Moçambique, particularmente ao nível distrital, onde frequentemente se registam disputas pelo espaço público durante períodos de mobilização partidária.
Até ao momento, não há reacção pública da FRELIMO sobre as acusações. Membros do ANAMOLA defendem que situações desta natureza exigem maior intervenção das autoridades administrativas e policiais, no sentido de assegurar igualdade de tratamento às formações partidárias e prevenir escaladas de tensão.
O ANAMOLA apela ao respeito pelos princípios constitucionais, sublinhando que a consolidação da democracia depende da garantia efectiva do pluralismo político e da liberdade de actuação de todos os partidos.

