APSUSM responde Primeira Ministra e Ministro da Saúde: “Um hospital fechado não é como uma escola onde se repete a matéria. Aqui, morre-se e a vida não se repete”

Desde o dia 17 de Abril de 2025, a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) iniciou uma greve de trinta dias, prorrogáveis, estruturada em fases para evitar o colapso imediato dos serviços e permitir ao governo responder às suas exigências. No entanto, em vez de dialogar, segundo os profissionais de saúde, o governo tem lançado campanhas para descredibilizar o movimento, afirmando que “nem todos” os profissionais aderiram e acusando os grevistas de terem “coração mau” e de “não merecerem estar na saúde”.

 A APSUSM respondeu essas declarações feitas pela primeira-ministra, Benvinda Levi e pelo Ministro da Saúde, que se pronunciaram semana passada sobre a greve que está sendo conduzida pelos profissionais de saúde. Foi Benvinda Levi que menosprezou a greve afirmando que a mesma não está sendo aderida por todos os profissionais de saúde, enquanto o Ministro da Saúda repudiou a onda greves no sector.  “Isso não é concebível, não é permissível que alguém tenha um coração tão mau e diz estar na saúde. Você ter um coração que não quer cuidar do outro. A nossa profissão, infelizmente, é uma profissão na qual a greve não é permissível” disse Ussene Isse.

 Segundo a APSUSM, o governo está mais preocupado em manipular a informação do que em salvar vidas, tratando os pacientes como meros números. Em vez de negociar, as autoridades tentaram descredibilizar o movimento, alegando que “nem todos” os profissionais aderiram à greve. “Um hospital fechado não é como uma escola onde se repete a matéria. Aqui, morre-se e a vida não se repete”, criticou a direcção da associação ao discurso da Primeira Ministra.

A APSUSM acusa ainda o governo de hipocrisia, questionando como gestores com “bom coração” podem manter hospitais sem alimentação, medicamentos ou material cirúrgico, enquanto os próprios dirigentes se tratam em clínicas privadas. As críticas estendem-se ao pagamento de horas extraordinárias, denunciando dívidas de mais de 27 meses e salários diários irrisórios de 20 meticais por turno.

A APSUSM reagiu com dureza às acusações do Ministro da Saúde. “Se nós não merecemos estar na saúde, será que vocês mereciam estar a dirigir este ministério?”, questiona a associação em comunicado, antes de apresentar duras críticas ao comportamento do governo.

“Vocês que têm bom coração deixam as unidades sanitárias sem alimentação. Vocês que têm bom coração deixam as unidades sanitárias sem medicamentos e material médico-cirúrgico, enquanto se tratam em clínicas privadas porque sabem que os hospitais públicos não têm condições mínimas de internamento. Vocês que têm bom coração devem explicar como é possível trabalhar durante meses sem receber pelas horas extraordinárias, acumulando uma dívida superior a 27 meses. Vocês que têm bom coração aceitam pagar 20 meticais por turno, 600 meticais por mês, e ainda têm dificuldades em honrar esse pagamento?”- questionou a Anselmo Muchave ao governo.

Face à contínua desvalorização do movimento e das mortes causadas pela falta de atendimento, a APSUSM anunciou a intensificação da greve, a partir das 15h30 do dia 30 de Abril, os profissionais abandonarão completamente as unidades sanitárias até o dia 5 de Maio, prometendo anunciar novas acções de luta.

 “Não nos deixaremos manipular. Lutamos por um Sistema Nacional de Saúde digno e não aceitaremos que o governo continue a desrespeitar o sofrimento do povo moçambicano”, declarou Anselmo José Rafael Muchave, presidente da APSUSM.

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