Os desmobilizados de guerra da RENAMO reúnem-se esta Terça-feira (17), em Maputo, juntamente com membros influentes da Comissão de Gestão, num encontro que confirma o agravamento da crise interna que atravessa o maior partido da oposição moçambicana.
No centro das discussões está a recolha de assinaturas para a convocação de um Congresso Extraordinário, mecanismo estatutário que poderá redefinir a liderança actualmente encabeçada por Ossufo Momade.
Para os organizadores, o congresso é apresentado como uma necessidade urgente para restaurar a “legalidade e legitimidade interna”. No entanto, os mesmos entendem que, trata-se de uma disputa clara pelo controlo do partido, num momento de fragilidade e perda de influência no cenário nacional.
Outro ponto sensível que será discutido no encontro em Maputo hoje é a suspensão de António Muchanga, figura histórica e voz crítica da actual direcção. A medida é vista por sectores internos como tentativa de silenciar dissidências, alimentando acusações de autoritarismo e intolerância política dentro da própria organização que, historicamente, se posiciona como defensora da democracia.
Mais delicada ainda é a intenção de discutir no encontro de hoje as estratégias para a eventual ocupação da Sede Nacional e do gabinete do presidente do partido. Caso tal cenário avance, poderá representar uma escalada sem precedentes no conflito interno, com impactos políticos e legais imprevisíveis.
De realçar que, num período em que se exige unidade e clareza estratégica da oposição, a RENAMO parece mergulhada numa luta interna que ameaça comprometer a sua credibilidade, fragilizar a sua base social e abrir espaço para novos rearranjos no xadrez político moçambicano.

