A Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto (ESNEC) enfrenta uma crise sem precedentes na sua história recente, marcada pelo encerramento temporário das residências universitárias e pela suspensão do serviço de alimentação para os estudantes bolseiros durante o primeiro semestre do ano académico de 2026. A decisão, anunciada oficialmente aos pais e encarregados de educação, gerou revolta entre os estudantes, que denunciam negligência, falta de planeamento e ausência de responsabilidade institucional.
As residências estudantis da ESNEC sofreram danos graves após as fortes chuvas que assolaram o Distrito de Chibuto em Janeiro, com infiltrações severas, tetos parcialmente ou totalmente danificados e instalações sanitárias em estado crítico. De acordo com a Direcção, as condições actuais tornam impossível garantir segurança e conforto aos alunos, impondo o encerramento imediato das residências masculina e feminina. A situação evidencia a falta de manutenção preventiva, apesar das residências serem alugadas e acumularem dívidas, o que impossibilitou intervenções ou reformas que pudessem minimizar os riscos.
O refeitório da instituição também apresenta problemas estruturais e de higiene, tornando-se inadequado para a confecção de refeições seguras. A Direcção da ESNEC justificou que, além das deficiências na infraestrutura, o Estado não disponibilizou verba para a rúbrica de alimentação estudantil, impossibilitando a manutenção do serviço de refeições para os estudantes bolseiros.
Diante desta situação crítica, o Núcleo de Estudantes, os presidentes das residências e a Associação dos Estudantes Universitários (AEU) apresentaram propostas concretas para tentar mitigar os impactos: aumento do valor dos subsídios de bolsa, realocação temporária dos estudantes para o Hotel Chibuto e arrendamento de casas pela escola para alojamento temporário. Todas as sugestões foram rejeitadas pela Direcção da ESNEC, que alegou limitações financeiras e administrativas, afirmando que decisões sobre subsídios ou redirecionamento de fundos dependem exclusivamente da Reitoria da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
A nova residência estudantil, localizada no bairro de Cochombane, ainda não reúne condições básicas de habitabilidade, como fornecimento de água, eletricidade e janelas, e sua ocupação está prevista apenas para o segundo semestre de 2026. Enquanto isso, centenas de estudantes bolseiros foram informados de que terão de arcar pessoalmente com despesas de alojamento e alimentação, criando uma situação de vulnerabilidade social e financeira que compromete a segurança e o desempenho académico de muitos.
Os estudantes criticam duramente a decisão da Direcção da ESNEC, considerando-a injusta e uma violação dos seus direitos básicos. “Estamos a poucos dias do início das aulas e não sabemos onde vamos viver nem como vamos nos alimentar. É inaceitável que a escola simplesmente nos diga que temos de custear tudo sozinhos, quando dependemos inteiramente da bolsa para estudar e sobreviver”, afirmou o Núcleo de Estudantes. A AEU reforçou que a responsabilidade pela manutenção das residências e pelo fornecimento de alimentação não pode ser transferida para os pais e encarregados de educação, e que a Direcção falhou em planejar e garantir condições mínimas de segurança e dignidade para os estudantes.
As reuniões entre Direcção, Núcleo de Estudantes e AEU evidenciaram ainda a dificuldade de diálogo entre a gestão e a comunidade académica. As propostas apresentadas pelos estudantes, embora razoáveis e viáveis, foram rejeitadas sem alternativas concretas. A Direcção limitou-se a comunicar aos encarregados de educação que os estudantes devem custear alojamento e alimentação, ignorando completamente a situação de estudantes de baixa renda que dependem integralmente do apoio da instituição.
O impacto da decisão é profundo: estudantes bolseiros enfrentam agora o dilema de como frequentar as aulas sem um local seguro para viver e sem acesso à alimentação, fatores que podem afetar diretamente o rendimento académico e a saúde física e emocional. Para muitos, a bolsa representa a única fonte de sustento durante o ano letivo, e a imposição de custos adicionais por parte da instituição coloca os alunos em situação de extrema vulnerabilidade.
O Núcleo de Estudantes e a AEU informaram que não se conformam com a decisão e continuarão a lutar junto à Reitoria da UEM por soluções urgentes e justas, incluindo a revisão das condições de alojamento, a disponibilização de alimentação segura e a priorização da construção e conclusão da nova residência estudantil em Cochombane. Eles também apelam à união da comunidade académica, buscando mobilização e pressão para garantir que os direitos dos estudantes sejam respeitados.
Este caso evidencia não apenas a precariedade das condições de vida estudantil na ESNEC, mas também a fragilidade da gestão institucional diante de problemas estruturais previsíveis. A transferência de responsabilidades para os estudantes e suas famílias revela negligência e falta de comprometimento com a missão educativa da instituição, levantando questões sérias sobre governança, planejamento e prioridades da escola. Para a comunidade académica e a sociedade, a situação exige intervenção urgente da Reitoria e do Estado, para que a educação superior em Chibuto não seja prejudicada por decisões que colocam em risco a segurança, a dignidade e o futuro académico dos estudantes.

