Cerca de 4.928 alunos das 6.ª, 9.ª e 10.ª classes dos distritos de Memba e Eráti, na província de Nampula, irão realizar exames especiais no próximo dia 19 do corrente mês, numa iniciativa do sector da Educação destinada a garantir o direito à aprendizagem de crianças e adolescentes afectados pela instabilidade causada por ataques terroristas.
Os alunos abrangidos são provenientes de famílias que foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem no ano lectivo passado, o que os impediu de participar nos exames finais regulares. Muitos destes estudantes encontram-se actualmente dispersos em diferentes comunidades de acolhimento dentro e fora dos seus distritos de origem.
A informação foi avançada esta quinta-feira, 8 de Janeiro, pelo Director Provincial da Educação em Nampula, Williamo Tunzine, durante uma conferência de imprensa realizada na cidade de Nampula. Na ocasião, o dirigente explicou que a realização dos exames especiais resulta de um esforço conjunto entre o Governo, professores e parceiros do sector da educação, com vista a evitar a reprovação automática dos alunos afectados pela situação de insegurança.
Para assegurar a realização do processo avaliativo, foram criados 107 Centros de Exames Especiais. Deste número, 95 centros encontram-se localizados nas zonas de Chipene, Mazua, Lúrio e na sede do distrito de Memba, enquanto 12 centros funcionam nas localidades de Nagoro e Alua, no distrito de Eráti. As autoridades educativas admitem ainda a abertura de um centro adicional no distrito de Nacaroa, caso se confirme a existência de um número significativo de alunos deslocados naquela região.
Segundo Tunzine, 120 professores foram destacados para assegurar a aplicação e supervisão dos exames, estando igualmente garantidas as condições de segurança nas áreas onde os centros foram instalados. “Criámos todas as condições para que os alunos realizem as provas num ambiente calmo e seguro”, assegurou.
O Director Provincial revelou ainda que, até ao momento, 2.907 alunos já foram fisicamente localizados e estão a ser preparados para a realização dos exames, através de fichas de apoio elaboradas com o suporte de parceiros do sector. Entretanto, equipas da Educação continuam no terreno a mobilizar líderes comunitários e famílias, com vista à localização dos restantes estudantes.
No seu pronunciamento, Tunzine apelou ao apoio da comunicação social para a divulgação da informação, sobretudo nos distritos de Memba e Eráti, de forma a alcançar as comunidades onde ainda possam estar alunos por localizar.
Apesar do calendário apertado, o dirigente garantiu que a realização dos exames especiais não irá comprometer o arranque do ano lectivo em curso, cujo início oficial está previsto para o próximo dia 30 de Janeiro. A correção das provas deverá estar concluída no prazo de uma semana, permitindo que cada aluno transite de classe de acordo com o seu desempenho.
“A educação não pode parar por causa da instabilidade. O nosso compromisso é assegurar que nenhuma criança fique para trás”, concluiu Williamo Tunzine.

