A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) comunicou oficialmente, no dia 17 de Junho de 2025, ao Presidente da República, com conhecimento à Primeira Ministra, do Ministro da Saúde ao Secretário Permanente do Ministério da Saúde, a decisão de prorrogar, por mais trinta dias, a greve nacional iniciada a 17 de Abril.
A decisão resulta da ausência de respostas concretas e eficazes por parte do Governo às preocupações e exigências apresentadas pela classe. A greve, que decorre de forma faseada, tem como base o não pagamento de horas extraordinárias, subsídios de turno e valores devidos a profissionais transferidos. Segundo a APSUSM, ainda que tenha sido criada uma equipa multissectorial por orientação da Primeira Ministra para mediar o processo, esta estrutura tem-se revelado profundamente desorganizada, sem registo de actas nem consolidação das deliberações, comprometendo a seriedade do diálogo.
Nos últimos encontros com o Ministério da Administração Estatal e, posteriormente, com o Ministério da Saúde, segundo Anselmo Muchave, a associação foi surpreendida com a alegação de desconhecimento da dívida por parte do MISAU, mesmo após a entrega de toda a documentação pertinente.
Para os profissionais de saúde, este comportamento demonstra desinformação ou má-fé institucional, e evidencia uma incoerência grave no seio do próprio Governo, já que o Presidente da República reconheceu publicamente a existência de falhas e pendências em relação aos direitos laborais da classe.
A APSUSM considera que o sector da saúde não respeita a estrutura do Estado, agindo de forma descoordenada e sem compromisso com os compromissos assumidos. A associação denuncia ainda a interferência directa da direcção do MISAU nos processos de diálogo, contribuindo para a ineficácia das negociações e para a negação sistemática das reivindicações.
Num cenário marcado por ausência de soluções, a APSUSM manifesta profunda preocupação com o estado crítico das unidades sanitárias, que continuam a operar sem medicamentos, alimentação e material cirúrgico básico. Apesar disso, após o início do diálogo promovido pela Primeira Ministra, a APSUSM orientou os seus membros a regressarem aos postos de trabalho, mantendo simbolicamente a greve como forma de demonstração de boa-fé.
No entanto, esse gesto não foi acompanhado por igual empenho por parte das instituições governamentais envolvidas. Para a associação, não deveria caber aos profissionais de saúde o papel de lembrar às autoridades que processos negociais exigem a elaboração de actas e a produção de evidências de progresso. Tampouco deveria ser responsabilidade da APSUSM informar que as unidades hospitalares estão à beira do colapso por falta de recursos.
A carta enviada à Presidência reitera que as reivindicações não são apenas laborais, mas estruturais, e incluem questões como a reposição de medicamentos e material médico-cirúrgico, o apetrechamento de blocos operatórios, a regularização de actos administrativos pendentes, o pagamento dos valores em atraso, a garantia de formação contínua para os profissionais, e o enquadramento justo e definitivo na nova tabela salarial, eliminando as injustiças e disparidades existentes.
A direcção da APSUSM, liderada por Anselmo Muchave, lamenta que, apesar de todo o esforço de diálogo e abertura institucional demonstrado, a carta reivindicativa tenha sido completamente ignorada. Mais ainda, alerta que os relatórios oficiais que venham a ser entregues ao Chefe de Estado podem não refletir a dura realidade nas unidades sanitárias, razão pela qual se coloca à disposição para apresentar dados concretos e verificáveis. Caso não haja resposta efectiva nos próximos quinze dias, a associação poderá avançar para o encerramento total das unidades de saúde.
A APSUSM reafirma que a sua luta é legítima, transparente e em defesa da dignidade de quem cuida da vida, e conclui o documento com um apelo à liderança política para que se tomem decisões firmes e responsáveis. Para os profissionais em greve, hospitalidade começa pelo cuidado de quem cuida.

