A estufa do Jardim Tunduru foi palco, na tarde de ontem, do lançamento oficial do programa da Plataforma Internacional de Dança Contemporânea KINANI, que decorre de 24 a 30 de novembro, em Maputo. O evento reuniu figuras destacadas das artes, da música e da cultura, entre elas a secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, o vereador da Educação, Cultura e Desporto, Osvaldo Faquir, e o director do Centro Cultural Franco-Moçambicano, José Maria Queirós.
Na ocasião, Matilde Muocha sublinhou a relevância de iniciativas como o KINANI para o fortalecimento da cultura moçambicana, realçando que o Governo continuará a apoiar projectos que promovam o reconhecimento da arte nacional e a sua aproximação ao público.

A edição deste ano inclui uma conferência internacional sobre a indústria da dança, instalações dedicadas aos 20 anos da dança contemporânea em Moçambique e uma homenagem a Domingos Bié, figura de referência no panorama artístico nacional. Estão previstos mais de 22 espectáculos com artistas e companhias oriundas do Brasil, Tanzânia, África do Sul, Portugal, Espanha, Noruega e Angola, entre outros países.
O vereador Osvaldo Faquir destacou a importância de o KINANI expandir-se para outras províncias, levando a dança contemporânea a todo o país, e elogiou o papel do festival na promoção de espaços culturais alternativos.

Para Quito Tembe, director da plataforma, o KINANI consolidou-se como uma das maiores referências de dança contemporânea do continente africano. Segundo ele, a bienal representa “um espaço fértil de encontros, trocas e novas linguagens”, e tem sido o ponto de partida para diversos projetos artísticos.
Um dos exemplos citados foi o do coreógrafo moçambicano Ídio Chichava, que lidera actualmente uma das maiores digressões internacionais de uma companhia africana e investiu o valor do seu prémio internacional na construção de um estúdio comunitário.
A edição 2025 apresenta ainda sete estreias absolutas, três das quais de autoria moçambicana, reforçando a ambição de transformar o KINANI no principal mercado de arte contemporânea do continente.
Mais do que um festival, o KINANI afirma-se como um gesto de resistência, esperança e futuro, celebrando a capacidade transformadora da arte e o poder da dança em unir culturas e povos.

