O nomeado e recém-empossado Secretário de Estado do Comércio, António Jorge do Rosário Grispos, é uma figura do sector empresarial que ganha destaque entre aqueles que questionam sua idoneidade e caráter, especialmente entre os empossados para integrar o governo de Daniel Chapo, eleito em uma eleição considerada fraudulenta. O Presidente da República, Daniel Chapo, nomeou e empossou, nesta semana, António Jorge do Rosário Grispos para o cargo de Secretário de Estado do Comércio. Grispos também é Presidente do Conselho de Administração (PCA) da MOZ TOP ENERGIE Lda, uma empresa acusada pelos trabalhadores de não pagar salários em dívida, além de não realizar o pagamento ao INSS.
O 4Vês Repórter apurou que António Grispos é PCA da MOZ TOP ENERGIE, que, segundo fontes, passou a utilizar a marca PUMA ENERGY. Ele é considerado um “patrão injusto” ou “empregador negligente” por alguns de seus trabalhadores, que contestam sua nomeação para um cargo público, argumentando que não se pode colocar no governo pessoas cujo carácter e histórico de gestão são questionáveis.
Consta que a MOZ TOP ENERGIE deve quatro meses de salários a mais de vinte trabalhadores. O PCA, António Grispos, prometeu pagar dois meses de salários em dívida aos trabalhadores no mês de janeiro deste ano, após os trabalhadores passarem as festas sem seus ordenados. Além disso, na ata da reunião entre os trabalhadores e Grispos, à qual o 4Vês Repórter teve acesso, está registado que o pagamento dos dois meses seria realizado no dia 13 de janeiro, mas, infelizmente, os trabalhadores não foram pagos. É importante destacar que essa reunião ocorreu no dia 8 de janeiro, após uma manifestação em que alguns trabalhadores foram detidos pela polícia e levados à 6ª Esquadra da Polícia na Cidade de Maputo por reivindicarem seus salários.
Trabalhadores queixa-se de detençoes na MOZ TOP ENERGIE por reivindicação salarial e censura na TV Sucesso
Diante da falta de pagamento dos dois meses prometidos, os trabalhadores voltaram a se manifestar, e mais uma vez a força policial foi accionada para dispersar os grevistas. Entretanto, desta vez não houve detenções, ao contrário da situação anterior. Essa manifestação ocorreu no dia 21 de janeiro, e, posteriormente, foi realizada uma reunião na MOZ TOP, com a presença do PCA, António Grispos, e os colaboradores. O encontro teve como objectivo discutir pontos relevantes sobre o acordo revogatório da empresa. Durante a reunião, foram abordados temas como os pontos prévios do acordo revogatório, dúvidas e propostas a respeito do mesmo, além da concordância dos colaboradores de 2022 com as novas condições.
Em documento em nossa posse, consta que os colaboradores levantaram questões sobre a data de assinatura do acordo revogatório e o pagamento dos salários. Além disso, solicitaram esclarecimentos sobre o pagamento das contribuições ao INSS e a situação dos funcionários não inscritos no órgão. Em resposta, a direcção da MOZ TOP informou que o acordo será assinado após a regularização do fundo da empresa. Serão pagos quatro meses de salários, sendo dois no ato da assinatura e o restante em parcelas a serem definidas, com previsão de início das operações regulares entre fevereiro e Maio deste ano. Quanto ao INSS, foi confirmado que o pagamento diferido já foi renegociado e deverá ser iniciado em breve, de forma parcelada. A empresa também se comprometeu a verificar os processos dos colaboradores para resolver as pendências relacionadas à inscrição no INSS.
“Ele está há quase dois anos devendo, não paga salários e do nada nos mandou parar, alegando que perdeu o posto de Zimpeto. Está devendo também aos membros da Mapedaço; esses são piores, estão há sensivelmente dois anos e meio devendo, ele não paga a ninguém”, revelou uma fonte.
Além de MOZ TOP ENERGIE, Grispos é responsável por outro empreendimento comercial denominado “Mapedaço”, que é uma loja de conveniência que também tem salários em dívida com os trabalhadores.
Esse empreendimento deve mais de um ano de salários, segundo nossas fontes. No dia 21 de janeiro, durante a greve dos trabalhadores, a TV Sucesso foi convidada a fazer a cobertura das reivindicações. A TV Sucesso realizou a cobertura jornalística, mas a matéria nunca foi veiculada naquele canal. Segundo as fontes, o próprio António Grispos foi quem deu a ordem de censura da matéria na TV Sucesso, alegando relações pessoais com Gabriel Júnior, o qual é PCA da televisão. O 4Vês Repórter tentou ouvir Gabriel Jr., mas ele não atendeu o celular nem respondeu à mensagem enviada. Consultamos a Direcção de Informação, que afirmou que a matéria filmada no dia 21 de janeiro será veiculada nesta sexta-feira, dia 21 de Fevereiro.
“Quando corremos atrás e fazemos as greves, ele chama a polícia para nos prender. Na última vez, chamamos a TV Sucesso, e a TV gravou a reportagem, e, cara sem-vergonha que ele (António Grispos) é, disse que ia ligar para o PCA da TV para apagar a imagem e não passar. E foi realmente o que aconteceu. Mas ficamos sabendo que ele deu 100 mil à TV Sucesso para não mostrar as imagens”, afirmaram as fontes.
Os trabalhadores denunciaram irregularidades nos pagamentos ao INSS e na formalização de contratos. De acordo com relatos, o empregador não realiza os descontos do INSS, mas frequentemente efectuava pagamentos de salários em dinheiro vivo, muitas vezes em envelopes. Além disso, alguns colaboradores afirmam que a responsável pela contratação, identificada como Dr. Haua, fez com que eles assinassem contratos sem permitir a leitura prévia. Quando questionada, ela teria informado que enviaria os documentos para o local de trabalho ou que os funcionários teriam que buscá-los na sede da empresa. A situação levanta preocupações sobre os direitos trabalhistas dos colaboradores.
A MOZ TOP ENERGIE é uma empresa que sofreu uma alteração na estrutura societária, onde o sócio António Jorge do Rosário Grispos unificou as quotas adquiridas, consolidando-as em uma única quota no valor nominal de trezentos mil meticais (300.000,00 MT). Essa nova quota representa dez por cento (10%) do capital social da empresa. Conforme o artigo terceiro do contrato social, o capital social total da sociedade é de três milhões de meticais (3.000.000,00 MT). Este capital é dividido em duas quotas desiguais, sendo uma quota no valor de dois milhões e setecentos mil meticais (2.700.000,00 MT), correspondente a noventa por cento (90%) do capital social, pertencente à sócia Erati Minerais, Limitada. A outra quota, no valor de trezentos mil meticais (300.000,00 MT), representando dez por cento (10%) do capital social, agora pertence ao sócio António Grispos.

