RESUMO DAS PROPOSTAS PARA O SECTOR DA JUVENTUDE NO PROGRAMA DO GOVERNO 2025-2029: O Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025-2029 prevê um conjunto de iniciativas para a promoção, empoderamento e desenvolvimento integral da juventude moçambicana. O objectivo é proporcionar ferramentas e oportunidades para o aprendizado, crescimento pessoal e participação activa na economia e sociedade.
Principais Acções Estratégicas:
- Participação e Representação Juvenil
- Incentivar a participação dos jovens em órgãos de tomada de decisão e em actividades económicas, sociais, culturais e ambientais.
- Estimular o associativismo juvenil em várias áreas da vida pública e privada.
- Educação e Saúde
- Realizar sessões de diálogo sobre políticas de juventude, abrangendo milhões de jovens ao longo dos anos.
- Sensibilizar adolescentes e jovens em saúde sexual e reprodutiva, HIV, nutrição, prevenção de uniões prematuras e malefícios do álcool e drogas.
- Emprego e Empreendedorismo Juvenil
- Premiar jovens criativos e inovadores nas comunidades.
- Criar programas de financiamento para iniciativas juvenis e o desenvolvimento de negócios inovadores.
- Oferecer bolsas de formação profissional e capacitação para o mercado de trabalho.
- Apoiar feiras de emprego e empreendedorismo.
- Voluntariado Juvenil
- Enquadrar voluntários em diversos sectores da administração pública.
- Capacitar organizações promotoras de voluntariado para fortalecer a resposta a emergências e o desenvolvimento socioeconómico.
- Gestão e Financiamento
- Financiar o Conselho Nacional da Juventude para garantir a continuidade de suas actividades.
- Criar mecanismos de apoio financeiro para jovens empreendedores.
O programa enfatiza a necessidade de diálogo, inclusão e criação de oportunidades concretas para os jovens, com impacto directo na economia e na sociedade.
CRÍTICA E SUGESTÕES DE MELHORIA PARA A IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO DE JUVENTUDE NO PQG 2025-2029
O Plano Quinquenal do Governo (PQG) 2025-2029 apresenta propostas importantes para o desenvolvimento da juventude moçambicana, porém, algumas das medidas carecem de detalhes e estratégias concretas de implementação. Há necessidade de garantir que estas acções não sejam apenas promessas políticas, mas que resultem em impactos tangíveis na vida dos jovens.
Crítica às Acções Propostas:
- Participação e Representação Juvenil – Sugestão: Criar um mecanismo legal que exija a presença de representantes juvenis nos processos de tomada de decisão, especialmente em sectores como emprego, educação e desenvolvimento sustentável. Além disso, oferecer apoio financeiro e técnico para organizações juvenis e associações comunitárias.
A proposta menciona o incentivo à participação dos jovens em órgãos de decisão, mas não estabelece mecanismos claros para garantir que essa participação seja efectiva e não apenas simbólica. O associativismo juvenil é incentivado, mas sem medidas concretas para o fortalecimento das organizações juvenis, que operam muitas vezes com poucos recursos e pouca autonomia.
- Educação e Saúde Sugestão: Expandir a educação técnica e profissional com um currículo alinhado às necessidades do mercado de trabalho e criar centros de atendimento gratuito para saúde juvenil, com serviços de saúde mental e reprodutiva acessíveis.
O plano menciona sessões de diálogo e campanhas de sensibilização, mas não há garantias de que os jovens terão acesso a serviços de saúde de qualidade e educação inclusiva e acessível. A sensibilização sobre saúde sexual e reprodutiva é necessária, mas não basta apenas informar; é essencial garantir serviços acessíveis e de qualidade.
- Emprego e Empreendedorismo Juvenil – Sugestão: Criar um fundo específico para apoiar startups juvenis, com condições flexíveis de crédito e incentivos fiscais para empresas que contratem jovens recém-formados. Além disso, promover parcerias entre universidades e o sector privado para estágios e formação prática.
As medidas são vagas e não explicam como os programas de financiamento para jovens empreendedores serão acessíveis e sustentáveis. Premiar jovens inovadores é um passo positivo, mas o que realmente impulsiona o empreendedorismo juvenil são capacitação técnica, acesso a crédito facilitado e acompanhamento contínuo.
- Voluntariado Juvenil – Sugestão: Criar um programa de certificação para jovens voluntários, que possa ser usado como um diferencial no mercado de trabalho. Além disso, estabelecer parcerias com empresas privadas para que o voluntariado seja reconhecido como experiência profissional.
O plano fala em enquadrar voluntários na administração pública, mas não menciona incentivos para essa participação. Não há clareza sobre como a capacitação das organizações promotoras de voluntariado será feita.
- Gestão e Financiamento – Sugestão: Garantir que o financiamento para jovens empreendedores seja descentralizado e acessível a jovens de todas as regiões, evitando a concentração dos recursos em grandes centros urbanos.
O financiamento do Conselho Nacional da Juventude é uma medida necessária, mas não pode ser a única via de apoio aos jovens. A criação de mecanismos de apoio financeiro para empreendedores juvenis precisa ser acompanhada de critérios transparentes e acesso simplificado.
MEU POSICIONAMENTO FINAL
O documento em questão aborda questões cruciais para a participação e o empoderamento dos jovens em Moçambique, mas apresenta diversas lacunas que precisam ser preenchidas para garantir que as iniciativas propostas sejam efectivas e não meramente simbólicas. Primeiramente, a falta de mecanismos legais e políticas públicas claras para assegurar a participação juvenil em órgãos de decisão é uma preocupação central. Sem um quadro jurídico que garanta a voz dos jovens nas esferas de decisão, as propostas correm o risco de não se materializarem. A implementação de políticas que realmente integrem os jovens nos processos decisórios deve ser uma prioridade.
Sobre a questão da educação e saúde juvenil, é fundamental que as campanhas de sensibilização sejam acompanhadas por um investimento real na infra-estrutura de saúde e na educação técnica. O plano menciona a importância dessas áreas, mas carece de um esboço claro de como as disparidades no acesso à educação e saúde serão abordadas. É preciso garantir que todos os jovens, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconómica, possam usufruir de serviços de qualidade.
No que diz respeito ao financiamento para jovens empreendedores, a ausência de um modelo de implementação claro é uma falha significativa. A criação de um acesso facilitado a esses fundos, com critérios transparentes e justos, é vital para que os jovens, especialmente os de áreas rurais, possam realmente se beneficiar. A burocracia excessiva muitas vezes impede que aqueles que mais precisam de apoio consigam acessar os recursos disponíveis.
A questão do voluntariado é igualmente importante. Para que os jovens se sintam motivados a se envolver em atividades voluntárias, é necessário que haja incentivos claros, como certificações reconhecidas que valorizem a experiência adquirida. Além disso, as organizações que acolhem voluntários devem ser capacitadas para oferecer um suporte adequado, garantindo que a experiência de voluntariado seja enriquecedora e benéfica para os jovens envolvidos.
Por fim, a gestão do financiamento do Conselho Nacional da Juventude deve ser transparente e equitativa. A descentralização dos recursos é crucial para que movimentos de jovens em diversas regiões do país tenham acesso a oportunidades, evitando a concentração de recursos em determinadas áreas ou grupos privilegiados. Um sistema de distribuição justa e eficiente é fundamental para que todos os jovens possam se beneficiar das iniciativas propostas. Em resumo, embora o plano contenha boas intenções, a sua eficácia dependerá de uma implementação bem estruturada, que leve em consideração as necessidades reais dos jovens e que promova uma verdadeira inclusão e equidade.
O PQG 2025-2029 tem, aparentemente, boas intenções, mas precisa ser aprimorado com acções mais concretas e mecanismos de monitoria para garantir que os jovens tenham acesso real a oportunidades. É essencial que a juventude moçambicana não seja apenas incluída em discursos políticos, mas que tenha seu potencial efectivamente reconhecido e valorizado por meio de políticas públicas bem estruturadas e executáveis. (NTAIMO/2025)

