Gamitos dos Santos acusa PRM de massacre em Mogovolas e denuncia encobrimento de interesses económicos

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O activista social Gamitos dos Santos, membro de uma associação de defesa dos Direitos Humanos e que esteve no terreno a conduzir investigações independentes, acusou publicamente a Polícia da República de Moçambique (PRM) de protagonizar um massacre de civis no distrito de Mogovolas, província de Nampula, contrariando a versão oficial divulgada pelas autoridades.

Falando à imprensa esta segunda-feira, 5 de Janeiro, Gamitos dos Santos classificou como “criminosa e mentirosa” a narrativa da PRM, segundo a qual seis indivíduos alegadamente ligados aos Naparamas e ao partido ANAMOLA teriam sido mortos por envolvimento em actos de desordem pública no regulado de Marreca, Posto Administrativo de Naholoco.

De acordo com o activista, os acontecimentos de 29 de Dezembro de 2025 estão directamente ligados a interesses económicos na exploração e comercialização de pedras preciosas, envolvendo compradores protegidos por figuras políticas influentes. Segundo explicou, os garimpeiros locais vinham sendo forçados a vender minérios a preços irrisórios, situação que os levou a procurar outros compradores, desencadeando represálias.

Gamitos dos Santos afirmou que a Polícia foi accionada para expulsar os garimpeiros sob o argumento de ilegalidade da actividade mineira, mas a operação degenerou rapidamente em violência extrema. Um jovem garimpeiro terá sido baleado pela Polícia, provocando revolta popular. Em resposta, a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) foi mobilizada e terá efectuado disparos indiscriminados contra a população civil.

“Não se tratou de desordem pública, mas de uma acção punitiva e desproporcional contra civis indefesos”, afirmou o activista, acrescentando que mais de 30 pessoas poderão ter sido assassinadas, entre homens, mulheres e crianças, incluindo comerciantes que se encontravam no mercado local.

As investigações no terreno revelaram ainda perseguições às vítimas até às matas, agentes posicionados em árvores a disparar, corpos encontrados dias depois em zonas agrícolas e relatos de feridos por arma de fogo, tortura, espancamentos e extorsões. Há igualmente denúncias de destruição de bens, com o incêndio de mais de 20 motorizadas e a pilhagem de valores monetários pertencentes a garimpeiros.

Perante este cenário, Gamitos dos Santos exigiu uma investigação célere, séria e independente, a responsabilização criminal do comandante que ordenou a operação, indemnização às famílias das vítimas, com especial atenção às que perderam menores, e assistência médica urgente aos feridos.

O activista manifestou ainda disponibilidade para colaborar com as autoridades judiciais, desde que o processo seja conduzido com transparência, sublinhando que o caso de Mogovolas “expõe de forma crua a fragilidade do Estado de Direito e o uso da força policial para proteger interesses económicos privados”.

O episódio reacende o debate nacional sobre a actuação da PRM, o uso excessivo da força e a persistente impunidade em casos envolvendo graves violações dos Direitos Humanos em Moçambique. O activista afirmou que a sua organização conseguiu obter dados através de entrevistas no terreno e imagens que poderão ser divulgadas nas próximas horas.

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