O Presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Kino Caetano, afirmou que a juventude moçambicana enfrenta desafios profundos no acesso ao emprego, mas acredita que o programa Acredita Emprega, Edição 2026, pode representar uma oportunidade importante para melhorar a inserção económica dos jovens no país. Em declarações concedidas ao 4Vês Repórter, Kino Caetano destacou que não é possível discutir a questão do emprego em Moçambique sem colocar a juventude no centro do debate, uma vez que o país possui uma população maioritariamente jovem.
Segundo o responsável, apesar de ser resiliente, criativa e trabalhadora, a juventude continua a enfrentar obstáculos estruturais que limitam o seu acesso ao mercado de trabalho.
“Num país predominantemente jovem, acabamos por ser o grupo mais atingido pelo desemprego. Somos uma geração que cada vez mais se forma, mas as oportunidades continuam escassas”, afirmou.
Kino Caetano apontou que o problema é particularmente visível em algumas regiões do país. Em Cabo Delgado, por exemplo, estima-se que cerca de 175 mil jovens com formação profissional estejam desempregados, mesmo numa província que necessita de mão de obra qualificada para a reconstrução e para os grandes projectos em curso.
A nível nacional, a taxa de desemprego entre jovens dos 15 aos 35 anos ronda os 28,8%, com maior incidência nas zonas urbanas. A situação torna-se ainda mais desafiante tendo em conta que, todos os anos, cerca de 400 mil jovens atingem a idade economicamente activa e procuram entrar no mercado de trabalho. Além da escassez de oportunidades, o líder do CNJ apontou o elevado custo de vida, as dificuldades de acesso ao crédito e a burocracia para formalização de negócios como alguns dos factores que dificultam a criação de oportunidades económicas para a juventude.
Apesar deste cenário, o CNJ vê no programa Acredita Emprega uma oportunidade relevante para melhorar as perspectivas da juventude moçambicana. Com o anúncio de cerca de 40 mil bolsas de formação profissional, Kino Caetano afirmou que o programa representa um sinal encorajador para os jovens, mas defendeu que o seu impacto deve traduzir-se em resultados concretos.
“O que esperamos é que o programa vá além da formação e contribua efectivamente para melhorar a empregabilidade e criar oportunidades reais para os jovens”, disse.

Entre as principais expectativas do Conselho Nacional da Juventude está a promoção de empregabilidade real, com formações alinhadas às necessidades do mercado de trabalho. Kino Caetano destacou positivamente iniciativas de cooperação internacional que procuram ajustar a formação profissional às exigências de sectores específicos da economia, como soldadura, mecatrónica e manutenção industrial.
Segundo o presidente do CNJ, é fundamental preparar os jovens não apenas para os empregos actuais, mas também para os empregos do futuro, especialmente em sectores estratégicos como o gás natural e a indústria, nos quais Moçambique tem registado investimentos significativos. Outra expectativa do CNJ em relação ao programa está ligada à promoção do autoemprego digno.
Kino Caetano reconheceu que o Estado não tem capacidade para absorver todos os jovens no emprego formal, razão pela qual considera fundamental incentivar o empreendedorismo juvenil. Para o dirigente, capacitar e apoiar mais de 40 mil jovens em 2026 pode contribuir para a criação de novos negócios, gerar empregos e fortalecer as economias locais.
“O objectivo não deve ser apenas criar jovens bem-sucedidos individualmente, mas contribuir para a geração de riqueza para o país”, explicou.
O CNJ defende igualmente que o Acredita Emprega deve apostar fortemente na inclusão produtiva, garantindo que o programa alcance jovens de todas as províncias, distritos e localidades. Nesse contexto, Kino Caetano sublinhou que a rapariga deve ser tratada como prioridade, como forma de reduzir as desigualdades de género no acesso às oportunidades económicas. O líder juvenil defendeu ainda a necessidade de garantir a inclusão de pessoas com deficiência, para que o programa possa beneficiar um número mais amplo de jovens.
Ao mesmo tempo, o Conselho Nacional da Juventude considera essencial que o programa seja implementado com transparência e menos burocracia, de forma a evitar práticas de corrupção ou exigência de favores indevidos para acesso às subvenções.
“O acesso aos fundos deve ser transparente e livre de qualquer forma de nhonguismo”, alertou.
O CNJ defende também que os jovens beneficiários tenham acompanhamento contínuo e mentoria, de modo a garantir que os projectos apoiados consigam consolidar-se e gerar resultados positivos.
Outro ponto destacado por Kino Caetano é a necessidade de ligar os jovens ao sector privado, especialmente nas cadeias de valor ligadas aos sectores do gás e da indústria, onde o país tem apostado fortemente.
Por fim, o presidente do CNJ apelou aos jovens moçambicanos para que se preparem para aproveitar as oportunidades do programa, organizando a documentação necessária, desenvolvendo planos de negócio realistas e procurando aprender com experiências de outros empreendedores.
“A juventude não deve esperar apenas pelo amanhã. Nós somos a realidade de hoje e devemos aproveitar estas oportunidades para contribuir para o desenvolvimento de Moçambique”, concluiu.

