A província de Inhambane acolheu, nesta sexta-feira, o Seminário Provincial de Capacitação e Socialização sobre o Processo de Elaboração da Agenda da Paz e do Plano de Acção Nacional Juventude, Paz e Segurança (NAP-YPS), uma iniciativa que visa fortalecer o papel dos jovens na promoção da paz, prevenção de conflitos e desenvolvimento sustentável em Moçambique.
O seminário é promovido pela ORPHAD – Organização para a Promoção da Paz e Desenvolvimento Humanitário, em parceria com a Academia de Paz, o Fórum Nacional Juventude, Paz e Segurança e o Fórum Provincial das ONGs de Inhambane. O evento reuniu jovens, representantes da sociedade civil, líderes comunitários, instituições públicas e outros actores multissetoriais comprometidos com a promoção da paz, da segurança e da participação juvenil em Moçambique.
Falando na cerimónia de abertura, em representação da Secretaria de Estado na Província de Inhambane, António Xavier Vaz Júnior destacou que a paz constitui um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento do país e defendeu o envolvimento activo da juventude nos processos de tomada de decisão e construção da estabilidade social. Segundo o representante da Secretaria de Estado, a juventude moçambicana representa uma força transformadora capaz de impulsionar mudanças positivas nas comunidades, razão pela qual deve ocupar um lugar central nos esforços de promoção da paz, reconciliação e coesão social.

Vaz Júnior referiu que os desafios de segurança que o país enfrenta, particularmente em algumas regiões afectadas por conflitos, exigem respostas inclusivas e sustentáveis, com os jovens a assumirem um papel de destaque na prevenção do extremismo violento, na mediação de conflitos e no fortalecimento da resiliência comunitária. Na ocasião, o dirigente sublinhou a importância do Plano de Acção Nacional Juventude, Paz e Segurança, considerando-o um instrumento estratégico para garantir uma participação mais efectiva dos jovens nos processos de construção da paz e desenvolvimento nacional.
O Director do SDEJT, Alberto Macamo representante do Administrador Distrital de Inhambane destacou a importância da participação activa da juventude na promoção da paz, da estabilidade social e do desenvolvimento sustentável. O mesmo saudou os participantes e agradeceu a sua presença, considerando que esta demonstra o compromisso colectivo com a construção de uma sociedade mais pacífica, inclusiva e resiliente.
Segundo afirmou, o seminário constitui um espaço privilegiado de reflexão, partilha de experiências e reforço de capacidades, visando não apenas a transmissão de conhecimentos, mas também o incentivo à participação activa, responsável e construtiva dos jovens nos processos de desenvolvimento social, político e comunitário. O representante sublinhou ainda que, num contexto marcado por diversos desafios relacionados com a paz e a segurança, torna-se essencial o envolvimento de todos os actores sociais, com especial destaque para a juventude, reconhecida como uma força dinâmica e transformadora da sociedade.

Manifestou, igualmente, a expectativa de que os participantes aprofundem o seu conhecimento sobre os instrumentos orientadores em discussão e reforcem o seu papel como agentes de promoção da paz, da coesão social e da convivência harmoniosa nas suas comunidades. Por fim, desejou êxitos aos participantes e encorajou-os a contribuírem activamente para debates construtivos que conduzam a consensos e soluções promissoras para os desafios que afectam a juventude e as comunidades locais.
Por sua vez, o presidente do Fórum Provincial da Sociedade Civil de Inhambane, Enoque Costa, defendeu a necessidade de se estabelecer um quadro de responsabilização sobre as questões de paz e segurança em Moçambique, com especial enfoque na agenda de Juventude, Paz e Segurança. Costa afirmou que a advocacia desenvolvida pelas organizações da sociedade civil deve contribuir para a criação de mecanismos concretos de acompanhamento e monitoria dos compromissos assumidos pelo Estado nesta matéria.
Segundo o responsável, o país ainda não dispõe de um compromisso político claro e estruturado em torno das questões de paz e segurança, situação que, na sua opinião, exige uma mobilização conjunta da sociedade civil para influenciar a definição desta agenda como uma prioridade nacional. “Temos de lutar para que o Governo assuma a paz e a segurança como uma prioridade”, afirmou.

Enoque Costa sublinhou que um futuro quadro de responsabilização deve contemplar vários domínios estratégicos, nomeadamente o compromisso político, a disponibilização de recursos financeiros, o progresso da implementação das acções, a produção de dados e a promoção da equidade. O dirigente alertou que a ausência de dados e evidências limita a capacidade das organizações da sociedade civil de realizarem uma monitoria eficaz e de sustentarem as suas acções de advocacia. Para ele, a recolha e disponibilização de informação fiável são fundamentais para avaliar os avanços e identificar os desafios na implementação das políticas ligadas à paz e segurança.
Outro aspecto destacado foi a necessidade de reforçar o envolvimento das organizações da sociedade civil no processo de elaboração, implementação e monitoria da Agenda de Juventude, Paz e Segurança. Costa considerou que a participação activa destes actores constitui um dos pilares centrais para o sucesso da iniciativa. O presidente do Fórum Provincial da Sociedade Civil de Inhambane defendeu ainda que os compromissos do Governo nesta área sejam acompanhados por indicadores claros, objectivamente verificáveis, que permitam medir resultados e facilitar o acompanhamento por parte da sociedade civil e dos cidadãos.
Entretanto, a Vice-presidente do Conselho Provincial da Juventude de Inhambane, Horiana Orias Holanda, destacou a importância do envolvimento activo dos jovens nos processos de promoção da paz e segurança, considerando que a juventude desempenha um papel fundamental na construção de uma sociedade mais estável, inclusiva e próspera.
Intervindo durante o Seminário, Horiana Holanda afirmou que os jovens não devem ser vistos apenas como beneficiários das políticas públicas, mas também como actores estratégicos na prevenção de conflitos, na promoção da coesão social e no fortalecimento da cultura de paz. Segundo a dirigente juvenil, a participação efectiva da juventude nos processos de tomada de decisão contribui para a construção de respostas mais inclusivas e sustentáveis aos desafios que afectam as comunidades, sobretudo em matérias relacionadas com a paz, segurança e desenvolvimento.

Na ocasião, apelou aos jovens da província para assumirem uma postura cada vez mais activa e responsável na defesa dos valores da convivência pacífica, do diálogo e da tolerância, reforçando que a construção de uma nação pacífica e segura depende do compromisso e da participação de todos. Horiana Holanda considerou ainda que iniciativas de capacitação e consulta como esta constituem uma oportunidade importante para que os jovens apresentem as suas preocupações, partilhem experiências e contribuam com propostas concretas para a elaboração da Agenda da Paz e do Plano de Acção Nacional de Juventude, Paz e Segurança. Por fim, manifestou a expectativa de que as contribuições resultantes do seminário sejam reflectidas nos instrumentos em elaboração, garantindo que as vozes e aspirações da juventude sejam efectivamente consideradas na definição das políticas de paz e segurança em Moçambique.

Por sua vez, os organizadores defenderam a necessidade de criar mecanismos permanentes de participação juvenil, capazes de garantir que as preocupações e aspirações dos jovens sejam integradas nas políticas e estratégias nacionais de paz e segurança. A Gestora de Projectos da ORPHAD, Anica Pedro afirmou que o seminário integra o ciclo nacional dos 11 seminários provinciais promovidos no âmbito do Projecto Raízes da Paz, implementado pela ORPHAD com o apoio da Open Society Foundations (OSF).
Importa destacar que, a iniciativa visa fortalecer capacidades locais para apoiar a construção participativa da Agenda Nacional da Paz e do Plano de Acção Nacional sobre Juventude, Paz e Segurança (NAP-YPS), assegurando que as vozes das comunidades, dos jovens e dos diversos sectores sociais sejam incorporadas nos processos de definição de prioridades para a paz e a segurança no país.

