Daniel Chapo propõe cinco medidas estratégicas para impulsionar o desenvolvimento global e combater desigualdades financeiras

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, defendeu esta segunda-feira, 30 de Junho, em Sevilha, Espanha, a criação de uma nova arquitetura financeira internacional mais inclusiva, sustentável e equitativa.

A intervenção do Chefe de Estado moçambicano ocorreu durante a abertura da IV Conferência Internacional das Nações Unidas sobre o Financiamento ao Desenvolvimento (FFD4), que decorre até 3 de Julho, e teve como destaque a aprovação do denominado “Compromisso de Sevilha” — uma nova estratégia global para financiamento ao desenvolvimento.

“É com grande honra e um profundo senso de responsabilidade que Moçambique marca presença nesta conferência global, aqui em Sevilha, dedicada ao financiamento ao desenvolvimento. Saudamos a aprovação do Compromisso de Sevilha”, declarou Chapo, sublinhando a importância da cooperação multilateral no cumprimento da Agenda 2030 da ONU.

Na sua intervenção, o Presidente moçambicano destacou os avanços económicos registados pelo país nas últimas duas décadas, mas alertou que choques internos e externos têm afetado negativamente esse progresso.

“O terrorismo no norte do país, especialmente em Cabo Delgado, e os eventos climáticos extremos, como cheias, inundações e ciclones, têm provocado instabilidades sociais, afetando particularmente o emprego jovem, a segurança alimentar e a capacidade do Estado de financiar sectores cruciais”, observou.

Face a esses desafios, Daniel Chapo apresentou a nova Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, assente em cinco pilares interligados: boa governação, infraestruturas estratégicas, industrialização, capital humano e sustentabilidade ambiental.

“Temos reforçado o nosso compromisso com reformas estruturantes e com uma visão clara de transformação económica”, afirmou.

Chapo apelou também a uma maior inclusão no acesso ao financiamento internacional, defendendo a utilização de instrumentos inovadores, como o financiamento misto, e o fortalecimento dos Bancos Nacionais de Desenvolvimento, que, segundo disse, devem funcionar como catalisadores de investimento, sobretudo nas áreas da industrialização, das pequenas e médias empresas e da agricultura.

No plano interno, destacou os esforços do país para expandir a base tributária, modernizar o sistema fiscal — incluindo a tributação digital — e implementar uma Estratégia Nacional de Financiamento Climático, com a ambição de tornar Moçambique num exemplo regional em finanças verdes até 2035.

Durante o seu discurso, o estadista apresentou cinco propostas estratégicas que Moçambique leva à conferência iniciado com uma nova Parceria Global para Financiamento Climático Baseado em Resultado, a Criação de bancos de desenvolvimento orientados à industrialização rural, a Plataforma continental de inclusão financeira digital, os Mecanismos multilaterais para a gestão sustentável da dívida e um pacto global para a formação de capital humano.

“Estamos confiantes de que, com a colaboração da comunidade internacional e de boas práticas, podemos construir um futuro mais justo, resiliente e sustentável para todos”, declarou, encerrando com um apelo: “Moçambique reafirma o seu compromisso de não deixar ninguém para trás. E apela à construção de uma nova arquitetura financeira internacional que veja os desafios africanos não como limitações, mas como oportunidades de transformação partilhada a nível global.”

A IV Conferência Internacional sobre o Financiamento ao Desenvolvimento reúne representantes de Estados, instituições multilaterais e organizações da sociedade civil para renovar os compromissos globais de mobilização de recursos para o desenvolvimento sustentável, com especial enfoque nos países de rendimento baixo e médio, como Moçambique.

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