O Clero da Diocese de Maciene, da Igreja Anglicana de Moçambique e Angola, decidiu finalmente romper o silêncio e tornar pública a sua insatisfação perante o que considera uma gestão financeira e pastoral altamente problemática sob a liderança de Reverendíssima Dom Agostinho Buque, Bispo Diocesano. A informação foi denunciada por membros do Clero ao 4VÊS REPÓRTER, após meses de paciência, tolerância e sacrifício, os sacerdotes sentem-se moral e pastoralmente obrigados a denunciar a situação que consideram insustentável, marcada por atrasos salariais sucessivos, má gestão dos recursos da Diocese, falta de transparência na administração de fundos e decisões pastorais controversas que fragilizam a comunhão eclesial.
Actualmente, segundos os denunciantes o Clero acumula quase cinco meses sem receber salários, apesar das paróquias continuarem a gerar receitas e a remetê-las regularmente à Diocese, conforme os procedimentos estabelecidos. Os mesmo afirmam que a centralização obrigatória dos fundos impede qualquer pagamento direto aos sacerdotes, deixando-os impossibilitados de cobrir necessidades básicas, como alimentação, cuidados de saúde e despesas com a educação dos filhos. Esta situação coloca em risco não apenas o bem-estar das famílias dos sacerdotes, mas também a própria capacidade da Igreja de cumprir a sua missão pastoral e social.
O descontentamento aumenta com a alegada má gestão de fundos significativos. As fontes revelam que cerca de 750.000 meticais destinados à criação de poedeiras e incubadora de pintos desapareceram sem qualquer explicação ou relatório de execução, assim como aproximadamente 4.000.000 meticais recebidos como legado. Acrescentando ainda que estes valores, que deveriam reforçar a sustentabilidade financeira da Diocese e melhorar as condições do Clero, esgotaram-se sem qualquer prestação de contas oficial, levantando sérias dúvidas sobre a administração dos recursos da Igreja. Para as fontes, a ausência de projectos implementados, a inexistência de aumentos salariais e o rápido esgotamento dos fundos disponíveis denunciam uma gestão incapaz de garantir transparência e responsabilidade, pilares essenciais de qualquer instituição moral e espiritual.
O grupo que reclama avança que a situação é agravada pela concentração de funções administrativas e financeiras nas mãos do Secretário Diocesano, que acumula o cargo de tesoureiro sem mecanismos de fiscalização independentes. Esta acumulação de responsabilidades cria conflitos de interesse e compromete a transparência, colocando em causa princípios básicos de boa governação e tornando impossível qualquer controlo efetivo sobre as receitas da Diocese. Revelam as fontes que até hoje, o Clero não recebeu qualquer relatório financeiro detalhado sobre o uso das doações, incluindo os cerca de 4.000.000 meticais, violando o dever ético e cristão de prestar contas aos fiéis, aos doadores e aos próprios sacerdotes.
O 4VÊS REPÓRTER soube fontes que a governação da Diocese é ainda marcada por decisões pastorais controversas, como a tentativa de indicar um Vigário Geral contra a vontade expressa da maioria do Clero, num contexto já fragilizado pela crise financeira. Esta falta de diálogo e sensibilidade pastoral aprofunda divisões internas e enfraquece a comunhão eclesial, levantando sérias preocupações sobre a capacidade de liderança da Diocese. Para os sacerdotes, tais decisões demonstram um desprezo pelos princípios de colegialidade e respeito pela vontade da maioria, criando um ambiente de desconfiança e tensão dentro da Igreja.
Os membros do Clero sublinham que esta manifestação não é fruto de rebeldia, mas sim de um profundo amor pela Igreja e pelo ministério, com o objectivo de restaurar a justiça, a transparência e a boa governação na Diocese. Entre as exigências apresentadas estão a regularização imediata dos salários em atraso, a prestação de contas clara e documentada sobre todos os fundos recebidos e utilizados, a separação efetiva das funções administrativas e financeiras e o respeito pelo diálogo e pela vontade do Clero nas decisões pastorais. Os sacerdotes lembram que a credibilidade da Igreja depende da coerência entre aquilo que professa e aquilo que pratica internamente e questionam: como se pode exigir ética na vida pública, na política e nas instituições civis, se dentro das próprias estruturas da Igreja se tolera a opacidade, a má gestão e o sofrimento silencioso daqueles que a servem?
A Diocese de Maciene, sublinha o Clero, só poderá cumprir a sua missão evangelizadora e social se houver uma gestão financeira responsável, transparente e participativa. A falta de respostas claras sobre os recursos da Diocese compromete não apenas a autoridade moral da Igreja, mas também a própria missão cristã de servir com justiça, cuidado e verdade. Esta manifestação é, portanto, um apelo firme às instâncias superiores para que intervenham com urgência, exijam esclarecimentos ao gestor da Diocese, promovam a prestação de contas e garantam que os direitos básicos dos sacerdotes sejam respeitados, assegurando um ambiente de boa convivência, justiça e responsabilização dentro da Igreja.
Em última análise, questiona-se que exemplo pretende oferecer a sociedade uma instituição que se apresenta como reserva moral e referência ética se, internamente, não consegue governar-se com decência, transparência e responsabilidade. A credibilidade da missão cristã, concluem, depende da coerência entre a mensagem proclamada e a prática diária, e sem uma mudança profunda na governação da Diocese, a confiança, a autoridade moral e a missão evangelizadora da Igreja estarão irremediavelmente comprometidas.

