Em meio a um cenário político nacional marcado por desconfianças e promessas repetidas de reforma, o partido PODEMOS, liderado por Albino Forquilha, iniciou uma nova etapa de acções que afirma visar mudanças sociais e políticas em Moçambique.
O pontapé inicial foi dado com uma missão de estudos de cinco dias à República do Quénia, sob o pretexto de recolher experiências sobre descentralização e separação de poderes.
A visita, realizada no âmbito da Comissão de Reflexão sobre o Modelo de Governação Descentralizada (CREMOD), incluiu encontros com ministros e representantes de governos locais quenianos, focando em temas como financiamento da descentralização, participação cidadã, reformas jurídicas e coordenação intergovernamental.
Apesar do discurso optimista de Forquilha no encerramento da missão, onde garantiu que as lições colhidas no Quénia serão fundamentais para a reforma da governação em Moçambique, vozes críticas questionam se a iniciativa é, de fato, um compromisso real com a descentralização ou uma manobra para reforçar a visibilidade política do PODEMOS em ano pré-eleitoral.
O Quênia, que tem enfrentado dinâmicas democráticas complexas e convulsões pós-eleitorais, demonstrou-se receptivo ao pedido de colaboração do Estado moçambicano. A delegação teve a oportunidade de se reunir com ministros e representantes de governos locais, promovendo um intercâmbio rico em conhecimentos e práticas.
Para muitos, a descentralização continua a ser um conceito promissor, mas politicamente instrumentalizado. Agora, cabe ao PODEMOS provar que não se trata apenas de mais um roteiro diplomático, mas sim de um compromisso sério com a mudança estrutural no país.

