A RENAMO enfrenta um dos momentos mais tensos dos últimos tempos, com dirigentes a trocarem acusações públicas e mensagens internas a revelarem um ambiente de forte desconfiança, críticas à liderança e disputas sobre o rumo do partido.
Numa mensagem enviada a um grupo de deputados, Inácio Reis, delegado provincial na Zambezia, rejeita qualquer tentativa de assalto ao poder por vias consideradas ilegítimas, defendendo o congresso como único mecanismo válido.
No entanto, o tom do seu discurso levanta preocupações sobre a profundidade da crise interna.
“Nunca vão assaltar, vão no chefe deles. Na RENAMO neste momento há espaço para General Ossufo Momade, o caminho da preparação do próximo líder, não líder vadio político, nós já nos conhecemos, o congresso é o lugar legítimo para sair um presidente, não na subversão. Nunca e nunca mesmo. Se for por assalto proponho pormos a RENAMO a leilão e vendermos, dividirmos o dinheiro e cada um ir à sua vida”, escreveu Reis, numa declaração que muitos consideram extrema e reveladora de fraturas internas profundas.
A referência direta a Ossufo Momade surge como sinal de alinhamento com a atual liderança, ao mesmo tempo que o delegado critica duramente possíveis adversários internos, a quem acusa de promover instabilidade.
Entretanto, um áudio que o 4Vês Repórter teve acesso de uma reação de António Muchanga intensifica ainda mais o clima de confronto, adotando um discurso igualmente contundente e acusatório.
“Muito obrigado, mas efetivamente tende-se a avançar, não se pode recuar. Aqui ficou claro qual é a verdadeira intenção deles”, afirmou Muchanga, sugerindo a existência de agendas ocultas dentro do partido.
O político questiona também a recente condecoração de Reis.Importa destacar que Reis foi recentemente condecorado pelo Presidente da República, Daniel Chapo.
“É preciso recordar que o Reis recentemente foi condecorado. E toda a gente perguntou: estava a ser condecorado por quê? O que é que ele fez? Ninguém conseguiu explicação disso”. Num tom crítico e até sarcástico, Muchanga acrescenta: “É muito importante que a máscara tenha caído… ele começou agora a dançar nhao sem máscara na cara… toda a gente já viu quem é ele”.
As críticas estendem-se ao funcionamento interno do partido, com ataques diretos ao Conselho Nacional e à liderança de Momade. “Por que é que o Conselho Nacional não aciona o mecanismo de convocação do Congresso extraordinário? Por que é que não insta o Ossufo Momade a apresentar contas?”, questiona, insinuando falta de transparência e bloqueio institucional.
Muchanga acusa ainda a actual estrutura de ter sido manipulada. “São os actuais delegados, nomeados por dedo pelo próprio Ossufo, que escolheram pessoas sem critério”, afirmando que o partido está a ser capturado por interesses restritos. Num dos momentos mais duros, alerta que “Este partido não é propriedade deles… se não agirmos, o partido acabou”.

