Associação Moçambicana para Igualdade de Género e Juventude Empoderada (AMIGJE) realizou nesta quinta-feira (28), a terceira caminhada sobre “O que Acontece quando nós caminhamos”. O evento teve lugar na Cidade de Maputo e contou com a participação de vários jovens. Em entrevista ao nosso jornal, a presidente da Associação Moçambicana para Igualdade de Género e Juventude Empoderada (AMIGJE), Francisca Noronha, afirmou que a marcha promovida pela organização visa chamar atenção para a crescente insegurança enfrentada por mulheres e jovens em diversos bairros da cidade e província de Maputo.
Segundo Noronha, a iniciativa surge como uma forma de alertar as autoridades e a sociedade sobre os espaços urbanos que se tornaram perigosos, sobretudo para mulheres que circulam em horários nocturnos.
“A iniciativa é maioritariamente voltada para os bairros de expansão, onde infelizmente todos os dias uma rapariga ou uma mulher é assassinada”, afirmou.
A activista explicou que, para além da marcha, a organização pretende realizar um mapeamento de zonas consideradas inseguras, tanto dentro como fora da cidade de Maputo. Entre os bairros já identificados constam Luís Cabral, Zimpeto, Chamanculo, bem como áreas como Molumbela e outros pontos que têm sido associados a casos frequentes de criminalidade.

De acordo com Francisca Noronha, o objectivo do mapeamento é produzir dados que possam servir de base para informar e pressionar os decisores políticos, incluindo o Conselho Municipal, o Ministério do Género e a Polícia da República de Moçambique (PRM), de modo a que sejam tomadas medidas concretas para devolver segurança às comunidades.
“O objectivo é alertar sobre o facto de estas zonas não serem seguras para mulheres e para que juntos possamos tomar medidas que permitam tornar estes espaços novamente seguros”, explicou.
A presidente da AMIGJE recordou ainda que muitos destes locais não eram anteriormente associados a elevados níveis de violência, defendendo a necessidade de estudos e acções concretas para compreender as causas do aumento da criminalidade.
“Hoje precisamos estudar e tomar medidas sobre o que está a fazer com que estes espaços se tornem propícios para assaltantes fazerem deles palco para satisfazer os seus intentos”, acrescentou.

Francisca Noronha defendeu igualmente uma intervenção mais firme do Governo e do Presidente da República, Daniel Chapo, perante o aumento dos crimes violentos no país.
“Os assassinatos contra mulheres e jovens não podem ser normalizados. Alguma coisa está a acontecer. A criminalidade em Moçambique está a aumentar e as mulheres estão a pagar a factura mais alta”, declarou.
A responsável considera que o cenário representa um “alerta vermelho” para a sociedade moçambicana, sublinhando que a violência contra mulheres e jovens constitui uma ameaça directa ao futuro do país.
“Assassinar mulheres e jovens é assassinar a própria sociedade, porque são eles que mantêm o país vivo, activo e representam o presente e o futuro de Moçambique”, concluiu.

