Um despacho judicial emitido no dia 27 de Abril de 2026 pelo Tribunal Judicial da Província de Maputo veio lançar um verdadeiro terramoto no panorama mediático nacional, ao impor restrições severas a Dércio Alfazema no que diz respeito a qualquer referência pública a Sérgio Azarias Matsinhe. A decisão, enquadrada numa providência cautelar, revela contornos delicados e levanta questões profundas sobre os limites da liberdade de expressão em Moçambique.
De acordo com o conteúdo do documento, a providência foi requerida por Sérgio Matsinhe através do seu mandatário judicial, que sustenta que Alfazema vinha, de forma reiterada, fazendo declarações públicas consideradas difamatórias, ofensivas e atentatórias ao seu bom nome.
As alegações incluem a divulgação de conteúdos nas redes sociais e outros espaços públicos, com impacto negativo directo na reputação e imagem do requerente.
Após análise preliminar, o tribunal considerou existirem elementos suficientes para deferir a providência, destacando dois pressupostos fundamentais, a aparência do direito e o perigo na demora. No entendimento do juiz, há indícios plausíveis de que os direitos de personalidade de Matsinhe estavam a ser violados, ao mesmo tempo que se verificava um risco real de agravamento dos danos caso não houvesse intervenção imediata.
Entretanto, com base nisso, o despacho determina de forma clara e inequívoca que Dércio Alfazema deve abster-se, com efeitos imediatos, de Proferir declarações públicas sobre Sérgio Matsinhe, Publicar ou partilhar conteúdos que mencionem o seu nome, imagem ou qualquer referência directa ou indirecta, assim como de Utilizar linguagem considerada ofensiva, difamatória ou lesiva da honra do requerente.
A decisão sublinha ainda que o incumprimento destas ordens poderá resultar em consequências legais agravadas, incluindo responsabilidade civil e eventual responsabilização criminal, caso se verifique desobediência à ordem judicial.
Outro aspecto relevante do documento é o carácter urgente da medida, típico das providências cautelares, cujo objectivo principal é prevenir danos irreversíveis enquanto o processo principal ainda não é julgado. O tribunal optou por agir de forma célere, sem ouvir previamente a parte visada, precisamente para garantir a eficácia da decisão e evitar a continuação dos alegados prejuízos. Porém, está marcado para dia 04 de Maio o contraditório de Dércio Alfazema no Tribunal.
Enquanto isso, Dércio Alfazema vê-se agora legalmente impedido de abordar qualquer assunto relacionado com Sérgio Matsinhe, num silêncio imposto pela justiça que promete marcar os próximos capítulos deste caso ainda longe de estar concluído.

