FRELIMO afirma que Moçambique está retomar a normalidade após as crises recentes, apesar do estado de alerta

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A Frelimo afirma que Moçambique está gradualmente a regressar à normalidade, depois de um período marcado por crise política e pelo impacto de intempéries que afectaram várias regiões do país. A posição foi apresentada pelo porta-voz do partido, Pedro Guiliche, durante uma conferência de imprensa realizada no segundo dia da V Sessão Ordinária do Comité Central, onde destacou sinais encorajadores na recuperação do funcionamento das instituições públicas e da vida social e económica.

Segundo Guiliche, há indicações claras de que o país está a reencontrar o seu ritmo normal, com as instituições a retomarem o seu funcionamento regular. Ainda assim, reconheceu que persistem desafios importantes, sobretudo no sector da Saúde, onde a destruição de um armazém de medicamentos durante manifestações pós-eleitorais comprometeu a capacidade de resposta do Estado.

Apesar disso, garantiu que estão em curso esforços para ultrapassar a situação, incluindo um processo de importação de diversos medicamentos, cuja chegada está prevista para o próximo mês de Maio. Paralelamente, o partido entende que há necessidade de investir de forma mais consistente na formação dos profissionais de saúde, com o objectivo de melhorar a qualidade do atendimento, tornando-o mais humanizado e próximo das comunidades.

Outro ponto de preocupação levantado pela Frelimo tem a ver com o aumento dos preços dos combustíveis, num contexto internacional ainda instável. O partido alerta que, caso o conflito no Irão se mantenha, poderá haver agravamento dos custos de aquisição, com impacto directo na economia nacional e no custo de vida. Neste sentido, Guiliche apelou ao uso racional dos combustíveis, sublinhando que as reservas existentes estão a ser consumidas gradualmente, o que exige maior prudência na gestão deste recurso essencial para o funcionamento do país.

Durante a sessão do Comité Central, vários membros defenderam a necessidade de uma análise profunda e realista da situação económica, política e social de Moçambique. O antigo secretário-geral da Frelimo, Eliseu Machava, chamou a atenção para a importância de os debates não se limitarem apenas às questões internas do partido, mas que abordem, com responsabilidade, os desafios que o país enfrenta, tendo em vista um futuro mais estável e próspero.

Na mesma linha, a chefe da bancada parlamentar da Frelimo na Assembleia da República, Feliz Sílvia, manifestou expectativa de que o encontro permita alinhar estratégias concretas para o desenvolvimento nacional, com foco na obtenção de resultados e na consolidação da independência económica.

O porta-voz do partido referiu ainda que esta sessão do Comité Central marca também o arranque do processo de preparação da Frelimo para os próximos desafios eleitorais, nomeadamente os pleitos previstos para 2028 e 2029, sublinhando que o objectivo central continua a ser melhorar a capacidade do partido de servir o povo moçambicano.

Na abertura da sessão, o presidente da Frelimo, Daniel Chapo, defendeu a necessidade de uma reflexão profunda sobre a paz e a segurança nacional, considerando estas áreas como prioridades inegociáveis. No seu discurso, destacou a importância de reforçar a defesa da soberania, da integridade territorial e da capacidade de prevenção e combate ao crime, apontando o terrorismo como uma das principais ameaças à estabilidade do país. Segundo explicou, os grupos terroristas têm recorrido a tácticas como sequestros, intimidação das populações, infiltração em comunidades vulneráveis e sabotagem de infraestruturas, com o objectivo de criar medo e instabilidade.

Apesar destes desafios, Chapo assegurou que o país tem registado progressos, com o reforço da capacidade operacional das Forças de Defesa e Segurança, o regresso gradual das populações às suas zonas de origem e a retoma de grandes projectos de investimento, sobretudo nas áreas afectadas pelo terrorismo, como a província de Cabo Delgado. O dirigente enalteceu também o apoio prestado pelas forças do Ruanda e da Tanzânia no combate aos grupos armados.

O presidente da Frelimo alertou igualmente para o impacto crescente do crime organizado, incluindo o tráfico de drogas e de seres humanos, o branqueamento de capitais, os sequestros e a mineração ilegal, práticas que, segundo afirmou, colocam em causa a soberania nacional e a gestão sustentável dos recursos naturais.

No caso específico da mineração ilegal, destacou que se trata de um problema grave de segurança nacional, com consequências negativas tanto para a economia como para o ambiente. Como resposta, o Governo iniciou um processo de reestruturação do sector mineiro, com destaque para a província de Manica, onde a situação ambiental atingiu níveis preocupantes, tendo sido activado um teatro operacional especial que envolve diferentes instituições do Estado.

Por fim, Daniel Chapo abordou os efeitos dos eventos climáticos extremos que continuam a afectar o país de forma cíclica, garantindo que o Governo está atento à evolução da situação e empenhado em reforçar a resiliência nacional. Destacou ainda a importância da cooperação regional e internacional, nomeadamente no âmbito da SADC e da União Africana, como forma de encontrar soluções conjuntas para os desafios comuns, apelando à união de todos os moçambicanos na construção de um futuro mais estável e promissor.

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