Actores de Sofala defendem reforço da educação cívica, maior inclusão juvenil e acções concretas para consolidar a paz

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Participantes do seminário provincial de socialização e capacitação recolha de contribuições para a elaboração do Plano de Acção Nacional da Agenda Juventude, Paz e Segurança (NAP-YPS), realizado na província de Sofala, defenderam a necessidade de reforçar a educação cívica e moral, aumentar a participação efectiva dos jovens nos processos de tomada de decisão e promover acções concretas para a consolidação da paz. O evento foi organizado pela Organização Para Promoção da Paz e Desenvolvimento Humanitário (ORPHAD) em parceria com Fórum juventude, Paz e Segurança, a Academia de Paz e Fórum Provincial das Organizações da Sociedade Civil de Sofala (FOPROSA).

Durante o debate, representantes de organizações da sociedade civil, instituições juvenis e actores comunitários manifestaram preocupação com o comportamento de parte da juventude, a fragilidade dos mecanismos de educação para a cidadania e a reduzida representatividade juvenil nos espaços de decisão. Intervindo durante o evento, a gestora de projectos da Organização para Promoção da Paz e Desenvolvimento Humanitário (ORPHAD), Anica Pedro, destacou que a iniciativa visa fortalecer as capacidades dos participantes para que estes desempenhem um papel activo na promoção da paz e da coesão social nas suas comunidades.

“Desejamos que os conhecimentos partilhados neste seminário não fiquem apenas nesta sala. O nosso objectivo é que cada participante possa transmitir estas aprendizagens aos demais membros da sua comunidade e contribuir para a construção de ambientes mais pacíficos. Mais do que adquirir informação, queremos que todos assumam o compromisso de colocar em prática os conteúdos abordados e de se tornarem referências na promoção da paz, do diálogo e da convivência harmoniosa”, afirmou.

O Presidente do Fórum Provincial das Organizações da Sociedade Civil (FORPROSA), Amadeu Haja defendeu a necessidade de uma abordagem integrada entre Governo, sociedade civil, famílias e comunidades. “As políticas podem existir, mas o fundamental é a forma como as implementamos. Cada actor tem uma responsabilidade específica. Precisamos de criar espaços de reflexão e compromisso onde cada parte assuma claramente aquilo que deve fazer. Isoladamente não vamos resolver estes problemas”, defendeu.

O membro do Fórum Provincial das Organizações da Sociedade Civil (FORPROSA), Inocêncio Melo, defendeu que muitos dos desafios actuais resultam da ausência de uma formação cívica consistente ao longo do percurso escolar. “No passado, o currículo tinha Educação Cívica e Moral e isso ajudava a construir o patriotismo. Quando uma pessoa não é patriota, pode destruir um bem público hoje e amanhã sentir que aquilo não lhe diz respeito. O próprio Governo deve rever o currículo porque o que estamos a assistir é, em parte, resultado da falta de educação cívica, moral e política”, afirmou.

Segundo o interveniente, os problemas actuais são consequência de questões estruturais que não foram resolvidas atempadamente. “Nós estamos a discutir os efeitos de um problema que já vinha de trás. Estamos a discutir consequências, mas precisamos de ir à raiz das causas”, acrescentou.

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A Presidente do Conselho Provincial da Juventude (CPJ), Berta Gimo, saudou os participantes do evento e destacou a importância do seu envolvimento activo nas discussões em torno da paz e segurança. Na sua intervenção, defendeu a necessidade de um maior protagonismo da juventude nos processos de prevenção de conflitos, promoção do diálogo e fortalecimento da coesão social, considerando que os jovens constituem uma força determinante para a construção de comunidades mais estáveis e resilientes.

Berta Gimo sublinhou ainda que a participação efectiva da juventude nos espaços de tomada de decisão é fundamental para garantir respostas mais inclusivas aos desafios que afectam as comunidades. Segundo afirmou, o engajamento dos jovens em iniciativas de paz e segurança contribui para a criação de um ambiente pacífico, de convivência harmoniosa e de desenvolvimento sustentável, reforçando os valores de cidadania, tolerância e unidade nacional.

 Por sua vez, o chefe do Departamento de Associativismo Juvenil do Conselho Provincial da Juventude (CPJ), Sérgio Feliciano, destacou o papel das igrejas e dos órgãos de comunicação social na promoção da paz e da mudança de mentalidades. “Quando falamos da paz, não podemos esquecer a igreja. Os pastores têm um papel muito importante na transformação da mentalidade dos jovens. Muitas vezes, quando um jovem enfrenta dificuldades, é a igreja que o acolhe e acompanha”, afirmou.

Feliciano considerou igualmente fundamental o uso das línguas locais nos processos de sensibilização comunitária. “Temos de comunicar em Sena, Ndau e Português. Há comunidades onde muitas crianças não dominam a língua portuguesa. Se queremos educar para a paz, precisamos de falar a língua das pessoas”, defendeu. O responsável alertou ainda para a necessidade de apresentar resultados concretos aos jovens. “Recentemente encontrei jovens de apenas nove anos que perguntaram: ‘O que nos traz de concreto?’. Isto mostra que precisamos de trabalhar directamente com as comunidades e criar oportunidades reais para que os jovens compreendam o valor da paz”, sublinhou.

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O Director executivo da Associação Comercial e Industrial de Sofala (ACIS), Augusto Damone, chamou a atenção para a insuficiente representatividade da juventude nos espaços de decisão política. “Temos cerca de 250 deputados e menos de 20% representam a juventude. Que políticas concretas para os jovens podemos esperar quando a maioria das decisões é tomada por adultos? Precisamos de discutir seriamente esta questão”, afirmou.

Damone criticou igualmente a instrumentalização dos núcleos juvenis para fins políticos. “Muitas vezes os núcleos juvenis são vistos como extensões de agendas políticas. É importante que assumam verdadeiramente o papel de representar os interesses dos jovens e não interesses particulares”, observou.

O dirigente defendeu ainda uma maior abertura ao pluralismo de ideias. “Pensar diferente não deveria ser um problema. As associações e os grupos juvenis precisam de promover uma cultura de debate saudável, porque ninguém é obrigado a pensar exactamente da mesma forma que o outro”, referiu.

Já a directora da AMPDC, Angela Jorge, considerou que a juventude actual enfrenta desafios relacionados com a valorização do esforço e da perseverança. “A juventude de hoje tem várias oportunidades, mas muitas vezes procura resultados imediatos. É preciso compreender que o crescimento exige sacrifício e trabalho. Quem aprende a começar do chão constrói bases mais sólidas para o futuro”, afirmou.

Angela Jorge defendeu igualmente uma mudança de atitude por parte dos jovens. “Os jovens devem reflectir profundamente sobre o futuro que pretendem construir. É importante cultivar valores como humildade, patriotismo, empatia e espírito de sacrifício. Sem isso, dificilmente conseguiremos alcançar mudanças positivas”, acrescentou.

Por sua vez, o director executivo da ASADEC, Henriques Hemilas, defendeu que a construção da cidadania começa no seio familiar. “Se os próprios pais não confiam nos seus filhos, como é que a comunidade vai confiar neles? A educação cívica começa em casa. É na família que se constroem os valores que depois são reproduzidos na sociedade”, afirmou.

Hemilas considerou ainda que a formação académica, por si só, não garante uma conduta responsável. “A questão não é apenas estudar ou frequentar uma universidade. Há pessoas sem formação superior que apresentam excelentes ideias. O essencial é a educação moral”, sublinhou.

Os participantes concluíram que a consolidação da Agenda Juventude, Paz e Segurança exige maior coordenação entre os diversos actores sociais, reforço da educação cívica, inclusão efectiva dos jovens nos processos de decisão e acções concretas que respondam às necessidades das comunidades.

NTAIMO

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