Nações Unidas defendem juventude como pilar da paz e do desenvolvimento sustentável em Moçambique

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As Nações Unidas reafirmaram esta sexta-feira o seu compromisso de apoiar Moçambique na implementação da Agenda Juventude, Paz e Segurança, destacando o papel central dos jovens na prevenção de conflitos, na promoção da coesão social e na construção de um desenvolvimento sustentável. A posição foi defendida pelo coordenador residente interino das Nações Unidas e representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Luís Fernandes, durante a Cúpula Nacional Juventude, Paz e Segurança – Construção de Consenso sobre a Agenda Juventude, Paz e Segurança, realizada em Maputo pela Organização Para promoção da Paz e Desenvolvimento Humanitário.

Na sua intervenção, José Luís Fernandes felicitou o Governo moçambicano por colocar a paz, a segurança e a governação entre as prioridades estratégicas do país e enalteceu o processo participativo que está a conduzir à elaboração da agenda nacional.

“Permitam-me começar por felicitar o Governo de Moçambique por considerar a Paz, Segurança e Governação como base de sustentação da Unidade Nacional no seu Plano Quinquenal e pela sua liderança neste importante processo nacional, construído por meio do diálogo, da participação e da convicção de que as melhores soluções são aquelas construídas em conjunto”, afirmou.

O representante das Nações Unidas destacou igualmente o papel desempenhado pela juventude e pelas organizações da sociedade civil, com destaque para a Organização para Promoção da Paz e Desenvolvimento Humanitário (ORPHAD), na mobilização de contribuições para a definição de uma visão comum para o futuro do país.

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“Gostaria de expressar o meu reconhecimento especial aos jovens e às organizações que os representam, em particular à ORPHAD, por esta importante iniciativa. A vossa força, resiliência e determinação continuam a inspirar-nos e a lembrar-nos que o que define uma geração são as oportunidades que lhe damos para participar, inovar e liderar”, declarou.

Durante o discurso, José Luís Fernandes sublinhou que a paz alcançada por Moçambique ao longo dos anos resulta de processos de diálogo e reconciliação, mas alertou que a sua preservação exige um esforço permanente.

“A paz não é um destino. A paz é uma construção permanente”, afirmou, acrescentando que desafios como as mudanças climáticas, a desinformação, as desigualdades sociais e a escassez de oportunidades para os jovens continuam a representar ameaças à coesão social.

Segundo o responsável, esses factores reforçam uma realidade incontornável. “Não existe paz duradoura sem desenvolvimento e não existe desenvolvimento sustentável sem paz.”

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José Luís Fernandes referiu que o Plano Estratégico de Desenvolvimento de Longo Prazo 2025-2044 prevê medidas para fortalecer o desenvolvimento humano sustentável, incluindo a expansão do acesso à educação, à saúde, à formação técnico-profissional e à protecção social, criando condições para o aproveitamento do dividendo demográfico.

Para o representante da FAO, a Agenda Juventude, Paz e Segurança surge como um instrumento essencial para garantir que os jovens sejam colocados no centro das políticas públicas.

“É precisamente por isso que a Agenda Juventude, Paz e Segurança é tão importante. Investimentos contínuos e sistemáticos no empoderamento juvenil, na participação activa dos jovens nos processos de planificação e decisão, na liderança juvenil e no exercício pleno dos direitos funcionam como base para uma paz e segurança duradoura e sustentável.”

O dirigente recordou ainda que, há dez anos, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adoptou a Resolução 2250, reconhecendo formalmente os jovens como parceiros estratégicos na prevenção de conflitos e na construção da paz.

“Pela primeira vez, a comunidade internacional reconheceu que os jovens não são apenas afectados pelos conflitos, mas sim parceiros essenciais para preveni-los, fortalecer a confiança entre as comunidades e construir sociedades mais pacíficas e resilientes”, afirmou.

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Citando o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, José Luís Fernandes reforçou que os jovens devem ser vistos como protagonistas das transformações sociais.

“Os jovens não são apenas pessoas que precisam de protecção. Os jovens são cidadãos com direitos, são membros plenos das nossas sociedades e são poderosos agentes de mudança.”

No encerramento da sua intervenção, apelou ao compromisso de todos os sectores para transformar os consensos alcançados em resultados concretos para a juventude moçambicana.

“A prevenção começa quando os jovens têm acesso à educação, quando encontram oportunidades, quando participam nas decisões e quando acreditam que a sua voz conta.”

José Luís Fernandes concluiu reafirmando o apoio contínuo das Nações Unidas ao país. “Em nome das Nações Unidas, reafirmo o nosso compromisso de continuar a apoiar o Governo e o povo de Moçambique na implementação desta agenda. Porque investir na juventude é fortalecer a paz e criar as condições para que Moçambique continue o seu caminho rumo a um desenvolvimento mais inclusivo, mais resiliente e mais sustentável.”

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