Juventude moçambicana alcança consenso para construção da Agenda Nacional da Paz e Plano de Acção Juventude, Paz e Segurança

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A cidade de Maputo acolheu, no dia 30 de Julho, a Cúpula Nacional da Juventude, Paz e Segurança, um encontro que culminou um amplo processo nacional de consultas e diálogos realizados em todas as províncias do País, com vista à construção da Agenda Nacional da Paz e do Plano de Acção Nacional da Juventude, Paz e Segurança (NAP-YPS).

Promovida pela Organização para Promoção da Paz e Desenvolvimento Humanitário (ORPHAD), a cúpula decorreu sob o lema “Consenso Nacional da Juventude para uma Participação Significativa na Prevenção de Conflitos e Construção da Paz em Moçambique”, reunindo cerca de 200 participantes provenientes de instituições públicas, organizações juvenis, sociedade civil, academia, sector privado, parceiros internacionais, líderes religiosos e jovens construtores da paz de todas as províncias do País.

Na abertura do encontro, a Secretária de Estado da Juventude, Emília Chambal Araújo, em representação do Presidente da República, defendeu que a construção de uma paz duradoura depende do envolvimento activo da juventude nos processos de desenvolvimento e tomada de decisão.

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“O Plano de Acção Nacional da Juventude, Paz e Segurança deverá constituir um instrumento orientador da acção colectiva, traduzido em políticas públicas, programas concretos, mecanismos de coordenação institucional, financiamento adequado e sistemas eficazes de monitoria e avaliação”, afirmou.

Segundo a governante, os jovens representam a principal força transformadora do País, razão pela qual devem ocupar um papel central na promoção da unidade nacional, da democracia e do desenvolvimento inclusivo.

Paz para além da ausência de conflito

Por sua vez, o Director Executivo da ORPHAD, Argentino Vatiua, defendeu uma visão mais ampla sobre o conceito de paz em Moçambique, sustentando que os desafios actuais exigem respostas que vão para além da simples ausência de conflito armado.

“Hoje, a paz vai muito além do silêncio das armas. É necessário integrar questões como a justiça social, a justiça ambiental e o desenvolvimento para que a paz seja efectiva e duradoura”, afirmou.

Vatiua sublinhou ainda a importância da participação de diversos actores multissectoriais na construção e implementação do Plano de Acção Nacional da Juventude, Paz e Segurança.

O responsável revelou que a ORPHAD liderou um processo de auscultação pública em 141 distritos do País, envolvendo jovens, instituições públicas, organizações da sociedade civil e outros intervenientes estratégicos. As contribuições recolhidas deram origem a um relatório nacional que servirá de base para uma proposta a ser submetida ao Governo.

Nações Unidas reafirmam apoio

As Nações Unidas aproveitaram a ocasião para reiterar o seu compromisso de apoiar Moçambique na implementação da Agenda Juventude, Paz e Segurança.

Falando em representação do sistema das Nações Unidas, o Coordenador Residente Interino das Nações Unidas e Representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), José Luís Fernandes, destacou o papel dos jovens na prevenção de conflitos e na promoção da coesão social.

“Gostaria de expressar o meu reconhecimento especial aos jovens e às organizações que os representam, em particular à ORPHAD, por esta importante iniciativa. A vossa força, resiliência e determinação continuam a inspirar-nos e a lembrar-nos que o que define uma geração são as oportunidades que lhe damos para participar, inovar e liderar”, declarou.

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Durante a sua intervenção, Fernandes alertou para os desafios que continuam a ameaçar a estabilidade social, incluindo as mudanças climáticas, a desinformação, as desigualdades sociais e a escassez de oportunidades para os jovens.

“A paz não é um destino. A paz é uma construção permanente”, sublinhou.

No final, reafirmou o compromisso das Nações Unidas de continuar a apoiar o Governo e o povo moçambicano na implementação das iniciativas resultantes do processo.

Participação juvenil considerada estratégica

O Vereador da Juventude do Conselho Municipal de Maputo, Nércio Duvane, em representação do Presidente do Município de Maputo, considerou que a realização da cúpula demonstra que a paz exige diálogo, participação e compromisso permanente de todos os sectores da sociedade.

“Esta cúpula representa um marco importante para a institucionalização da Agenda Nacional da Juventude, Paz e Segurança e do respectivo Plano de Acção Nacional, alinhando Moçambique com os compromissos internacionais e continentais de promoção da paz e prevenção de conflitos”, afirmou.

Por sua vez, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Fernando Rachid, defendeu que os jovens devem ser reconhecidos como actores centrais na construção da paz.

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“Os jovens representam o maior activo estratégico para consolidar a paz, fortalecer a democracia e acelerar o desenvolvimento de Moçambique”, afirmou.

O dirigente garantiu ainda a disponibilidade do CNJ para continuar a trabalhar com o Governo, as Nações Unidas, a União Africana, a ORPHAD e outros parceiros na implementação do Plano de Acção Nacional da Juventude, Paz e Segurança.

Durante a cúpula foram discutidas estratégias para fortalecer a participação juvenil na prevenção de conflitos, promoção da coesão social e implementação da Agenda Nacional da Paz. Os participantes defenderam a necessidade de transformar os consensos alcançados em acções concretas capazes de produzir impactos reais nas comunidades, particularmente nas zonas mais afectadas por conflitos e vulnerabilidades sociais.

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