Pelo menos duas pessoas foram baleadas esta sexta-feira durante uma intervenção policial para dispersar uma manifestação popular no Posto Administrativo de Ngaúma-Massangulo, distrito de Ngaúma, província do Niassa. O protesto foi desencadeado pela decisão das autoridades de retirar do cargo o chefe do posto, Dias Momade, uma medida que a população considera injustificada e sobre a qual exige esclarecimentos.
Segundo relatos de residentes, os confrontos começaram depois de centenas de pessoas terem bloqueado a estrada com pneus e outras barreiras para impedir a entrada da comitiva distrital que transportava o novo responsável indicado para assumir a liderança do posto administrativo. Entre os feridos está um cidadão que foi encaminhado ao Hospital Provincial de Lichinga para receber assistência médica.
A intervenção policial e os disparos que resultaram em ferimentos elevaram a tensão numa comunidade que afirma estar apenas a exigir explicações sobre a saída de um dirigente considerado responsável por mudanças significativas na região. A principal palavra de ordem dos manifestantes resume o sentimento de revolta que tomou conta da localidade: “O que o senhor Dias Momade errou?”
Para muitos residentes, a exoneração é difícil de compreender. A população atribui ao dirigente várias iniciativas implementadas nos últimos três anos, incluindo a mobilização comunitária para campanhas de limpeza, a promoção de actividades desportivas e culturais para os jovens, a construção de uma praça infantil com recursos locais, a reposição da iluminação pública e o acompanhamento de projectos de melhoria de infra-estruturas.
Moradores afirmam ainda que, durante a sua gestão, foi reactivada uma fontenária que durante anos permaneceu sem funcionar e que houve uma maior dinâmica na revitalização da escola técnica local, actualmente em processo de transformação para acolher um instituto agrário.
O caso está a gerar forte contestação porque, segundo vários residentes, nunca antes a população de Ngaúma-Massangulo se tinha mobilizado para impedir a saída de um dirigente governamental. Para muitos, a decisão representa um retrocesso num processo de aproximação entre a administração local e a comunidade.
A ausência de uma explicação oficial para a retirada de Dias Momade tem alimentado especulações e desconfianças. Entre as versões que circulam localmente, ainda sem confirmação das autoridades, há quem associe a decisão a alegados conflitos com dirigentes distritais e à sua suposta recusa em compactuar com práticas consideradas lesivas aos interesses da população.
Outros relatos apontam para alegadas divergências relacionadas com a elaboração de relatórios administrativos, versões que permanecem sem validação oficial.
Até ao momento, as autoridades distritais não se pronunciaram publicamente sobre as razões da exoneração nem sobre as circunstâncias que levaram ao baleamento dos manifestantes.
Enquanto aguardam respostas, os residentes insistem que a questão central não é apenas a substituição de um dirigente, mas a falta de transparência numa decisão que afecta uma comunidade inteira. E, entre barricadas, protestos e feridos, continua a ecoar a pergunta que mobilizou a população de Ngaúma-Massangulo: “O que o senhor Dias Momade errou?”
NTAIMO




