A Organização para Promoção da Paz e Desenvolvimento Humanitário (ORPHAD) em parceria com Fórum Juventude, Paz e Segurança (FJPS), Academia da Paz e Fórum das ONGs da província de Maputo (FOSMA) iniciou hoje, 02 de Junho, o ciclo de seminários de capacitação e socialização sobre o processo de elaboração da Agenda da Paz e do Plano de Acção Nacional de Juventude, Paz e Segurança (NAP-YPS), uma iniciativa que visa fortalecer o papel da juventude na promoção da paz, prevenção de conflitos e construção da coesão social em Moçambique. A cerimónia de abertura decorreu esta segunda-feira, na cidade da Matola, província de Maputo e reuniu representantes do Governo, organizações da sociedade civil e juvenis, líderes comunitários, instituições académicas e parceiros de desenvolvimento.
Na ocasião, o Director Executivo da Organização para Promoção da Paz e Desenvolvimento Humanitário (ORPHAD), Argentino Vatiua, explicou que a iniciativa surge da necessidade de consolidar uma cultura de paz num país marcado por sucessivos conflitos ao longo da sua história. Segundo o mesmo, apesar dos vários acordos de paz alcançados desde a independência, Moçambique continua a enfrentar desafios relacionados com conflitos políticos, crises sociais, eventos climáticos extremos e situações de insegurança, o que demonstra a necessidade de criar instrumentos permanentes de promoção da paz.
“Durante décadas, o país desenvolveu diversos programas focados no desenvolvimento económico e social, mas nunca teve uma agenda estruturada especificamente voltada para a paz. É necessário compreender que a paz não é apenas a ausência de guerra, mas também inclusão, reconciliação, desenvolvimento e harmonia social”, afirmou.
O responsável destacou ainda que a juventude representa mais de 85 por cento da população moçambicana e deve ser encarada como uma força estratégica para a construção da paz e não como um factor de instabilidade. Nesse contexto, explicou que os participantes do seminário serão preparados para actuar como operadores de paz e pontos focais da Agenda da Paz nas suas comunidades, contribuindo para a disseminação de mensagens de convivência pacífica, gestão de conflitos e reconciliação social.

Por sua vez, a Directora Provincial dos Serviços de Justiça e Trabalho, Ilda Tembe, que representou o Secretário de Estado na Província de Maputo, enalteceu a iniciativa e considerou que a paz deve ser construída diariamente nas comunidades. “A paz não se resume a acordos assinados. Constrói-se nos bairros, nas escolas, nos mercados e nas comunidades. Exige a participação de todos os cidadãos”, afirmou.
A dirigente apelou às lideranças comunitárias, religiosas, ao sector privado, às instituições académicas e aos parceiros de cooperação para reforçarem o seu envolvimento na promoção da estabilidade social e na criação de oportunidades para os jovens. Dirigindo-se aos participantes, Tembe encorajou a juventude a assumir um papel activo na defesa da paz, rejeitando actos de violência, radicalização e destruição de bens públicos.

“O futuro do país depende da vossa capacidade de promover o diálogo, o civismo e a convivência pacífica. Sejam os primeiros fiscais da paz nas vossas comunidades”, apelou. A representante do Governo destacou ainda que os jovens presentes no seminário terão a responsabilidade de replicar os conhecimentos adquiridos nos respectivos distritos, contribuindo para a socialização do processo de elaboração da Agenda da Paz e do Plano de Acção Nacional de Juventude, Paz e Segurança.
Já o presidente do Fórum da Sociedade Civil de Maputo (FOSMA), Elias Raul Langa, defendeu o reforço do papel da juventude na promoção da paz e da coesão social. Na sua intervenção, Langa manifestou, em nome das organizações da sociedade civil da província de Maputo, representadas pelas plataformas distritais e organizações parceiras, o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pela ORPHAD na implementação da iniciativa. Segundo o dirigente, a capacitação constitui uma oportunidade importante para consolidar espaços de diálogo entre jovens, Governo e sociedade civil, com vista à construção de bases sólidas para a paz e o desenvolvimento sustentável da província.

“Manifestamos a nossa gratidão ao ORPHAD pela realização desta capacitação. Este deve consolidar-se como um espaço nobre de diálogo entre os jovens, o Governo e a sociedade civil na criação de alicerces sólidos para a paz na nossa província”, afirmou. Para Elias Langa, iniciativas desta natureza devem ser replicadas em todo o país, tendo em conta os desafios que Moçambique enfrenta em matéria de convivência pacífica, participação cívica e desenvolvimento social. “A juventude tem uma força transformadora única. Com a sua energia, idealismo e vontade de mudança, os jovens são os verdadeiros agentes construtores de um futuro melhor e mais unido”, destacou.
Por sua vez, o Presidente do Conselho Provincial da Juventude da Província de Maputo, Cleyton Motumbela defendeu a necessidade de fortalecer o diálogo e a procura conjunta de soluções para os desafios que afectam os jovens. Na sua intervenção de boas-vindas, o dirigente juvenil saudou os participantes e destacou a importância da realização do encontro na província de Maputo, sublinhando que o seminário representa uma oportunidade para gerar ideias e propostas capazes de contribuir para a melhoria das condições de vida da juventude.
“Queremos discutir os desafios da vida dos jovens e encontrar soluções. Como Conselho Provincial da Juventude, auguramos que este seja um evento que traga soluções e ideias que, quando aplicadas, tenham poder para fazer a diferença na nossa província”, afirmou.
Importa destacar que após a capacitação, os jovens e lideres cívicos participantes representam vários distritos da província de Maputo, incluindo Magude, Manhiça, Marracuene, Boane, Matutuíne e Namaacha, e terão a missão de mobilizar outros jovens para participarem activamente no processo de construção da Agenda da Paz. Entretanto, após a formação provincial, o processo será descentralizado para os distritos e comunidades, através da capacitação de formadores distritais e comunitários, com o objectivo de criar uma rede nacional de promoção da paz.

